João Donha e a tradução de Livro dos Espíritos

.

João Donha – Professor de Português e de História, poeta, escritor e notável estudioso e divulgador espírita de Curitiba, Paraná – Brasil

João Donha - Espiritismo Esta fotografia mostra o cabeçalho do blogue “João Donha – espiritismo” e representa o seu autor, já há alguns anos evidentemente, à entrada da “Passage de Ste. Anne”, em Paris, designação que em português se poderia traduzir como “Galeria de Santa Ana”. Como curiosidade, antes de termos começado a dedicar-nos integralmente à investigação da cultura espírita, estivemos um tempo em Paris, de visita a um filho que ali se encontrava. Movidos por qualquer espécie de intuição, visitámos demoradamente toda esta área histórica da cidade, incluindo, evidentemente o interessantíssimo e muito conhecido espaço do Palais Royal. Na altura não tínhamos a noção exacta, como agora, de que ali trabalhara tão afincada e generosamente Hipólito Leão Denisard Rivail, na produção da grande obra que mais tarde iríamos ler, estudar e traduzir!...
Para ter acesso a “João Donha – espiritismo”, um blogue muito rico de conteúdos de pensamento e cultura espírita, é favor clicar na imagem.


A seguir o comentário do professor João Donha, conforme foi publicado no já mencionado blogue de sua autoria:

PRIMEIRA (E ÚNICA) TRADUÇÃO PORTUGUESA DO LIVRO DOS ESPÍRITOS


A primeira tradução para a língua portuguesa de um livro de Allan Kardec foi feita em 1862, pelo francês Alexandre Canu, secretário nas sessões da Societé Spirite. Trata-se do “O Espiritismo em sua mais simples expressão”, publicado em Paris pelo editor autorizado pelas duas coroas, brasileira e portuguesa, que bastante influenciou a entrada do espiritismo no Rio de Janeiro, segundo o próprio Kardec.Depois disso, iniciaram-se as traduções das obras de Kardec para o português feitas por brasileiros e lançadas no Brasil. Posteriormente, edições dessas traduções passaram a ser feitas também em Portugal, com as costumeiras adaptações quanto às peculiaridades regionais do idioma. Adaptações feitas em toda a literatura. Só o Saramago não permitiu; por isso, suas obras são lidas no Brasil tal como escritas em Portugal.Mas essa lacuna (a falta de uma tradução para o português de Portugal das obras de Kardec) começa agora a ser suprida pelo casal José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites, com a publicação de “O Livro dos Espíritos”. Eu disse “começa”, porque o desafio é lançado, a ser cumprido por eles ou por outros, para que a tradução das demais obras de Kardec também se faça ao som da beleza original do nosso idioma, “última flor do Lácio, inculta e bela” como lembra Olavo Bilac em seu imortal soneto.

E, podemos dizê-lo sem medo de exageros, lacuna preenchida de forma brilhante. Costa Brites e Maria da Conceição (ou, simplesmente São, como ela simpaticamente se coloca numa rede social) têm um excelente domínio do francês e perfeita consciência da dinâmica histórica a influenciar constantemente uma língua, de forma que, não fizeram apenas uma tradução para o português: fizeram uma tradução para o Século XXI. O cuidado com a expressão correta, clara e precisa dos conceitos transmitidos nesta obra (que se insere no rol das grandes obras sintetizadoras da cultura ocidental) norteou seu trabalho. Um elucidativo, instigador e inteligente prefácio, somado às oportunas “Notas Finais” (que são referenciadas ao longo do texto em negrito e entre colchetes), tornam a leitura desta tradução perfeitamente digerível pelo iniciante no conhecimento espírita e, imprescindível para o estudioso aplicado da doutrina.

A proposta de Costa Brites se resume num brado: “OLE – obra viva, obra aberta!” Pois, segundo ele me disse num e-mail: “a cultura espírita, os espíritas, sobretudo aqueles que têm o privilégio de falar com os Espíritos, nunca deveriam ter parado de avançar na pesquisa mediúnica, abrindo cada vez mais o património das informações”. E finaliza com um vibrante e oportuno desafio que, aliás, é também a minha opinião: “quem não estiver de acordo com o nosso trabalho, tem uma proposta antecipada que lhe apresentamos: façam uma tradução para proveito próprio, com todo o empenho e interesse cultural” (…) “No dia em que todos os espíritas tiverem feito uma tradução para seu próprio uso, talvez se tenham dados passos em frente, que nos expliquem de forma consistente ‘a natureza, origem e destino dos Espíritos e as suas relações com o mundo material’, com todas as respetivas facetas e horizontes”.

Enfim, eis a obra. “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec, tradução de José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites, Luz da Razão Editora, Portugal, 2017.

—————————————————————————

Comentário a este texto inserido por nós no blogue de João Donha :

Caro professor João Donha,

Os autores da tradução de “O Livro dos Espíritos” diretamente do francês original para português da atualidade agradecem reconhecidamente a atenção posta na leitura e na observação cuidadosa do trabalho que fizemos com tanto gosto e interesse proveitoso.
Com efeito, a motivação principal que nos dirigiu foi a de colhermos ensinamentos para nós mesmos, acompanhando todas as fases da tradução com a necessária pesquisa a respeito de todos os temas que mereciam essa atitude.
A intenção última foi a de servir o melhor possível, e simultaneamente, o interesse da cultura espírita e do português de Portugal que aprendemos na escola, na vida e no maravilhoso alento das palavras de nossas Mães.
O resultado mais feliz dessas observações foi o de termos conseguido estabelecer uma construtiva intimidade intelectual com a obra de Allan Kardec e dos ensinamentos dos Espíritos que nos deu a conhecer com tão elevado critério de ordenação metodológica.
Ao autor deste blogue e a todos os seus visitantes as nossas melhores saudações.

—————————————————————————–


No largo espaço da Internet cabe perfeitamente, e na nossa sensibilidade claramente se justifica, uma breve imagem do que aprendemos a respeito de João Donha. O perfil e as poesias vão inseridas porque valorizam esta página.
Se a Internet não servir para encontrar e conhecer pessoas e enriquecer a nossa visão da vida, para que servirá ela?
.

JOÃO ALBERTO VENDRANI DONHA, professor de Português e História, de Curitiba, Paraná, Brasil.
A si mesmo se qualifica como:

Ex-professor eventual de português e história;
ex-quase-escritor;
ex-funcionário de estatal;
… Algumas publicações infanto-juvenis; artigos e poesias em diversos periódicos.
E… nada a “completar”… A não ser o exercício atual de duas profissões não regulamentadas (graças a Deus):
a de “fiscal da natureza”, exercida na rive gauche do rio Cachoeira,
e a de “palpiteiro contumaz”, que pode ser verificada aqui no blog.

PUBLICAÇÕES:
“Os Gatos de Angaetama” (1979, CooEditora; 1985, Criar; 1995, HDLivros).
“Pelos Outros, Pela Gente” (1980, CooEditora).
“O Lambari Comilão” (1985, Criar).
“Brás Brasileiro” (1986, HDV).
“Espaço Agrário” (1980, Vozes).
“Os Desconhecidos” (1979, Beija-Flor).

Quase Poemas

Cb. 19.2.2007

RIO TEMPO

Estou num corpo, que está num barco, que desce um rio.
Saí da fonte para a foz, e estou em meio do caminho.
Para mim, a fonte é o passado e a foz é o futuro.
Se paro ou me volto as coisas se invertem.
Pois a fonte tem águas que ainda não vi,
o que faz que elas sejam o futuro,
enquanto que a foz são águas passadas.
Mesmo quando me movo ao longo do rio,
tendo a fonte como passado, lá estão surgindo novas águas;
portanto, em meu passado surgem novidades.
Mas as novidades não são coisas do futuro?
Se o futuro é a foz, suas águas podem ter passado por mim;
então meu futuro é conhecido, pois é feito de águas passadas.
Oh, meu Deus, minha vida gira como as voltas deste barco,
tendo o passado e o futuro sempre no presente.

9.7.2008

DIONÍSIO E APOLO

Se somos antes de ser; se temos categorias a priori; se somos uma centelha divina; se temos uma consciência prévia dada por Deus, lá no fundo e tal, esta verdade indemonstrável mas irrefutável, me indica que todo o saber é adquirido pela intuição, e a razão só lhe dá forma. Assim foi na fase inicial do conhecimento humano, e assim deve permanecer no desenvolvimento científico. A razão não é capaz de gerar novos conhecimentos, mas, simplesmente conformar o conhecimento intuitivo. É evidente; basta apenas observar que, quanto mais racional é uma pessoal, mais previsível ela é, e quanto mais intuitiva, mais criativa e genial. Isto não só porque a pessoa que se aferra apenas à razão se torna prisioneira da previsibilidade inerente a essa faculdade, mas, também, porque está fugindo à sua verdadeira natureza.
Viver é melhor que conhecer.

22.4.2009

A CIDADE

Sonho com a cidade da minha infância,
com muros baixos e portões abertos,
fechados apenas no mês de cachorro louco.
Agora, os cachorros estão sempre loucos
e saltam aterradores nos quintais,
obrigando todos a terem grades e
muros altos…

3.9.2009

POEMIAS

Eu não sirvo prá amigo,
nem prá companheiro,
muito menos prá correligionário,
aliás, eu não sirvo prá co-
isa nenhuma: sou apenas um indivíduo.
E da minha individualidade
(ou seria individualismo?)
eu não abro mão.

A contradição vivida
é que no exercício da minha
individualidade
(ou seria individualismo?),
eu dou-me o direito
de não ter opinião definida;
tê-la, portanto, dividida.
E o in-divíduo
é algo não divisível.

.1990

ECLESIASTES

Vaidade de vaidades, disse o Eclesiastes.
Que proveito tiras tu, ó trabalhador,
Do trabalho com que sempre te desgastaste
Debaixo do sol, a não ser a tua dor?

O sol nasce todo dia e torna a se por
Uma geração vem, outra geração parte
Por mais que pense não se livra do Criador
Filosofia, religião, ciência e arte.

Na calha do tempo se esvai inveja e amor
Seja puro ou pecador, não ilude a sorte
A tragédia com mais furor atinge o forte.

E por mim, que se dane burro ou pensador
Tudo é vaidade, pois que seja como for
Sábio e insensato encontram a mesma morte.

.2012

EU POETA?

O poeta senta e escreve
Eu apenas sinto e ouço
A sinfonia dos sabiás
Na hora mágica das cinco.
É muita paz e felicidade
Ainda que não sendo, só estando,
Mesmo que não tendo, só amando.

.


PALAVRAS DE JOÃO DONHA
UMA APRESENTAÇÃO LÚCIDA E INTELIGENTE
DA PERSONALIDADE E DO VALOR DO TRABALHO DESENVOLVIDO POR ALLAN KARDEC:

.

 

Da cultura da Grécia antiga a Allan Kardec, a falta de memória da Humanidade

Sócrates e Platão

SÓCRATES (469—399 AC.) É um dos poucos indivíduos dos quais se poderá dizer, pela influência cultural e intelectual que exerceu no mundo, que sem ele a história teria sido profundamente diferente. Ficou especialmente conhecido pelo método, que tem o seu nome, de pergunta e resposta, pela noção que tinha da sua própria ignorância e pela afirmação de que uma vida sem o questionamento de si mesma não merece a pena ser vivida.

PLATÃO (427—347 AC.) é um dos mais conhecidos, lidos e estudados filósofos do mundo. Foi aluno de Sócrates e professor de Aristóteles, e viveu na Grécia em meados do século IV A.C. Embora influenciado inicialmente por Sócrates, a tal ponto de o ter tornado a principal figura dos seus escritos, também foi influenciado por Heráclito, Parménides e pelos Pitagóricos.


Sócrates e Platão, precursores do cristianismo e do espiritismo


..
O Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo” surpreende-nos com uma referência fortíssima ao legado de Platão e de Sócrates que está na linha do que nos informa a Introdução de “O Livro dos Espíritos”, no número VI – Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, e é coerente com a restante obra de Allan Kardec.
São esses os temas desta publicação, que apresenta os seguintes conteúdos:

  • NOTA PRÉVIA alertando para a falta de memória da Humanidade e os seus trágicos efeitos.
  • CAPÍTULO IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, com o texto introdutório e resumo do legado de Sócrates e Platão, em vinte e cinco pontos, a maioria dos quais é seguido por um comentário de Allan Kardec, salientado a azul;
  • Como elemento de contextualização do texto anterior, referência de um valioso trabalho de Reinaldo Di Lucia, apresentado no VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita, São Paulo, Brasil, em 2001, cujo ficheiro PDF incluímos e cuja leitura e análise completa empenhadamente recomendamos;
  • Inserção Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”, para os visitantes poderem reler e comparar o seu conteúdo com o Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” e o referido legado de Sócrates/Platão.

A FALTA DE MEMÓRIA DA HUMANIDADE E OS SEUS TRÁGICOS EFEITOS

A impiedosa e quase sempre cruel marcha da História impediu que a sequência das culturas e das sensibilidades pudessem ter tido acesso, ao longo dos séculos, às conceções filosóficas aqui referidas e à sua proveitosa utilidade no estabelecimento da paz e na manutenção da tolerância.
Referimos, é claro, o manancial de informações científico-filosóficas que nos apresenta a cultura espírita dos nossos dias, em paralelo com o conhecimento já em evidência na Grécia Clássica, plasmado há mais de dois mil anos por alguns dos mais insignes pensadores da História da Humanidade.

Levando em conta o momento superior da civilização, salto qualitativo da Humanidade, durante o qual passou pelo planeta a presença, a palavra e o exemplo de Jesus de Nazaré, muito se perdeu na memória dos homens desde o classicismo Grego até aos tempos de hoje.

Entre o pensamento dos Clássicos Gregos e a actualidade posterior a Allan Kardec, não estamos perante conhecimentos casuais ou desirmanados. Foram informações coligidas a seu tempo exatamente pelos mesmos métodos e derivaram das mesmas fontes de que ainda hoje nos servimos, OS ESPÍRITOS.
Os Espíritos na Grécia falaram aos viventes na Terra, irmãos seus como nós o somos agora, com os mesmos propósitos, a mesma vontade generosa e, tantas vezes, para minorar as saudades da pátria espiritual daqueles que prestavam provas e cumpriam expiações como nós o fazemos nas nossas vidas.
Profundo e precioso é o património de conhecimentos da Humanidade, mas lamentável a força dispersiva das piores tendências do Homem, em luta consigo mesmo!…
Com a prática condizente com as ideias aqui expostas, os critérios dogmáticos não teriam surgido ou podiam ter-se resolvido em paz, em harmonia e convivência.

De nada serviram, pelo caminho, os hábitos de milhões de vidas sombrias orientadas pelo medo dos infernos e purgatórios, DAS CRUZADAS ‒ exportação da violência pelo recurso organizado dos organismos político-estratégicos EM ESTREITA CUMPLICIDADE com o DOGMATISMO RELIGIOSO, as conversões à força, a colonização dos corpos, das mentes e das culturas, o pretexto das dilatações da FÉ e dos IMPÉRIOS para a prática dos maiores abusos históricos de todos os tempos, o silêncio mantido à custa de TORMENTOS INQUISITORIAIS e tantas outras abominações que esmagaram as sociedades e foram transportados por todos os continentes, num delírio materialista, desalmado e cego!…

A acentuação destas ideias nada tem de despropositado, antes pelo contrário. A senda pedregosa dos dogmatismos está aberta, e muitos milhões de almas e poderosas forças obscuras continuam a trilhá-la.
Por isso temos recomendado, ao longo destas páginas, uma atenção permanente à memória dos povos e à História da Humanidade. Porque, com o conhecimento dos erros do passado, se resolvem os erros do presente e se evitam as infelicidades injustas do futuro. Muitíssimo grande é a responsabilidade dos portadores de mensagens do ESPÍRITO EMANCIPADOR.

Capítulo IV da Introdução de “O Evangelho segundo o Espiritismo”

A morte de Sócrates, de Jacques-Louis David (1787)

Resumo dos conceitos de Sócrates e Platão que elucidam a ideia da origem e do destino do homem:
Depois de cada tema segue a azul comentários de Allan Kardec.

I – “O homem é uma alma encarnada. Antes da sua encarnação, existia junto aos modelos primordiais, às ideias do verdadeiro, do bem e do belo. Separou-se deles ao encarnar e, lembrando o seu passado, sente-se mais ou menos atormentada pelo desejo de lá voltar.”

Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência do princípio inteligente e do princípio material. É, além disso, a doutrina da preexistência da alma, da vaga intuição que ela conserva da existência de outro mundo ao qual aspira, da sua sobrevivência à morte do corpo, da sua saída do mundo espiritual para encarnar, e do seu regresso a esse mundo após a morte. É, enfim, o germe da doutrina dos anjos caídos.

II – “A Alma perturba-se e confunde-se quando se serve do corpo para analisar algum objeto. Sente vertigens, como se estivesse ébria, porque se liga a coisas que são, pela sua natureza, sujeitas a transformações. Em vez disso, quando contempla a sua própria essência volta-se para o que é puro, eterno, imortal, e sendo da mesma natureza, aí permanece ligada tanto tempo quanto possa. Cessam então as suas perturbações, porque está unida ao que é imutável. Este estado da alma é o que chamamos sabedoria”.

Assim, o homem que considera as coisas vistas de baixo, terra à terra, do ponto de vista material, vive iludido. Para as apreciar com clareza é necessário vê-las do alto, ou seja, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio deve, por qualquer forma, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do Espírito. É isso o que ensina o Espiritismo (Cap. II, n° 5).

III – “Enquanto tivermos o nosso corpo, e a nossa alma se encontrar mergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objeto dos nossos desejos ─ a verdade. De facto, o corpo oferece-nos mil obstáculos, pela necessidade que temos de cuidar dele. Além disso, enche-nos de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível ser sensato, mesmo por um momento. Mas, se nada se pode conhecer verdadeiramente enquanto a alma está unida ao corpo, uma destas duas coisas se impõe: ou que nunca se conhecerá a verdade, ou que se conhecerá depois da morte. Livres da loucura do corpo, então conversaremos, é de esperar-se, com pessoas igualmente livres, e conheceremos por nós mesmos a essência das coisas. É por isso que os verdadeiros filósofos se preparam para morrer e a morte não lhes parece de maneira alguma temível”. (Ver O Céu e o Inferno, 1ª parte, cap. II, e 2ª parte, cap. I).

Aqui está o princípio das faculdades da alma, obscurecidas devido aos órgãos corporais, e da expansão dessas faculdades depois da morte. Mas trata-se aqui das almas evoluídas, já depuradas. Não acontece o mesmo com as almas impuras.

IV – “A alma impura, nesse estado, encontra-se pesada e é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror ao que é invisível e imaterial. Vagueia, então, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, junto dos quais foram vistos, às vezes, fantasmas tenebrosos. Assim devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras, e que conservam alguma coisa da forma material, o que permite aos nossos olhos apercebê-las. Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, que são forçadas a vaguear nesses lugares, onde carregam as penas das suas vidas passadas e onde continuam a vaguear até que os apetites inerentes à sua forma material as coloquem de novo a habitar um corpo. Então, retomam sem dúvida os mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram da sua predileção”.

Não somente o princípio da reencarnação está aqui claramente expresso, mas também o estado das almas, que ainda estão sob o domínio da matéria, é descrito tal como o Espiritismo o demonstra nas evocações. E há mais, pois afirma-se que a reencarnação é uma consequência da impureza da alma, enquanto as almas purificadas estão livres dela.
O Espiritismo diz isto mesmo, apenas acrescenta que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade, e que tem conhecimentos adquiridos, trará ao renascer menos defeitos, mais virtudes e mais ideias intuitivas do que na existência anterior. Assim, cada existência marca para ela um progresso intelectual e moral. (O Céu e o Inferno, 2ª parte: Exemplos).

V – “Após a nossa morte, o génio (daïmon, em grego) que nos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar onde se reúnem todos os que devem ser conduzidos ao Hades, para aí serem julgados. As almas, depois de permanecerem no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida por numerosos e longos períodos”.

Esta é a doutrina dos Anjos da Guarda ou Espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, após intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI – “Os demónios preenchem o espaço que separa o Céu da Terra, são os laços que ligam o Grande Todo consigo mesmo. A divindade nunca entra em comunicação direta com os homens, é por meio dos demónios que os deuses se relacionam e conversam com ele, quer durante o estado de vigília quer durante o sono”.

A palavra “daïmon”, que originou o termo “demónio”, na Antiguidade não tinha o sentido do mal, como acontece entre nós. Não se aplicava essa palavra exclusivamente aos seres maldosos, mas a todos os Espíritos em geral, entre os quais se distinguiam os espíritos superiores chamados deuses e os Espíritos menos elevados ou demónios propriamente ditos, que comunicavam diretamente com os homens. O Espiritismo ensina também que os Espíritos povoam o espaço, que Deus não comunica com os homens senão por intermédio dos Espíritos puros, encarregados de nos transmitir a sua vontade, que os Espíritos comunicam connosco durante o estado de vigília e durante o sono.
Substituindo a palavra demónio pela palavra Espírito teremos a doutrina espírita; usando a palavra anjo, teremos a doutrina cristã.

VII – “A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é a de ter o maior cuidado com a alma, não tanto por esta vida, que é apenas um instante, mas tendo em vista a eternidade. Se a alma é imortal, não é sábio viver para a eternidade?”

O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.

VIII – “Se a alma é imaterial, deve voltar, após esta vida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma forma que o corpo, ao decompor-se, volta à matéria. Importa somente distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se alimenta, como Deus, da sabedoria e dos pensamentos, da alma mais ou menos manchada por impurezas materiais, que a impedem de se elevar ao divino, retendo-a nos lugares da sua passagem pela Terra”.

Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma. Insistem nas diferenças que resultam da sua maior ou menor pureza. O que eles diziam por intuição, o Espiritismo prova-o, pelos numerosos exemplos que nos põe diante dos olhos (O Céu e o Inferno, 2ª parte).

IX – “Se a morte fosse o desaparecimento total do homem, isso seria de grande vantagem para os maus, que após a morte estariam livres, ao mesmo tempo, dos seus corpos, das suas almas e dos seus vícios.
Só aquele que enriqueceu a sua alma, não com estranhas ornamentações, mas com as que lhe são próprias, poderá esperar tranquilamente a hora da sua partida para o outro mundo”.

Por outras palavras: o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a negação de todas as responsabilidades morais posteriores e, por conseguinte, um estímulo ao mal. O malvado tem tudo a ganhar com o nada, o homem que se livrou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes é o único que pode esperar tranquilamente o despertar na outra vida. O Espiritismo mostra-nos, pelos exemplos que diariamente nos apresenta, quanto é penosa a passagem desta para a outra vida e a entrada na vida futura, para os que praticam o mal. (O Céu e o Inferno, 2ª parte, cap. I).

X – “O corpo conserva bem marcados os vestígios dos cuidados que se teve com ele ou dos acidentes que sofreu. Acontece o mesmo com a alma. Quando está separada do corpo conserva os traços evidentes do seu caráter, dos seus sentimentos, e as marcas que nela deixaram os atos que praticou durante a vida. Assim, a maior desgraça que pode acontecer a um homem é a de ir para o outro mundo com uma alma carregada de crimes. Tu vês, Callicles, que nem tu, nem Polus, nem Górgias, podereis provar que se deve levar outra vida que nos seja mais útil quando formos para o outro mundo. De tantas opiniões diferentes, a única que permanece inabalável é a de que mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, e que antes de tudo devemos aplicar-nos, não a parecer, mas a ser um homem de bem”. (Conversas de Sócrates com os discípulos na prisão).

Aqui encontra-se outro ponto capital hoje confirmado pela experiência, segundo o qual a alma não purificada conserva as ideias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha na Terra. Esta máxima: mais vale receber uma injustiça do que cometê-la, não é totalmente cristã? É o mesmo pensamento que Jesus exprime por este juízo: “Se alguém te bater numa face, oferece-lhe a outra”. (Cap. XII, nºs 7 e 8)).

XI – “De duas, uma: ou a morte é a destruição absoluta, ou é a passagem da alma para outro lugar. Se tudo deve extinguir- se, a morte será como uma dessas raras noites que passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é apenas uma mudança de morada, a passagem para um lugar onde os mortos se devem reunir, que felicidade a de ali reencontrarmos os nossos conhecidos! O meu maior prazer seria o de examinar de perto os habitantes dessa outra morada e distinguir entre eles, como aqui, os que são sensatos dos que creem sê-lo e não o são. Mas já é tempo de partirmos, eu para morrer e vós para viver”. (Sócrates aos seus juízes).

Segundo Sócrates, os homens que viveram na Terra encontram-se depois da morte e reconhecem-se. O Espiritismo no-los mostra, continuando as suas relações, de tal maneira que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação sem solução de continuidade.
Sócrates e Platão, se tivessem conhecido os ensinamentos transmitidos por Jesus quinhentos anos mais tarde, e os que o Espiritismo nos transmite hoje, não teriam falado de outra maneira. Nisso, nada há que nos deva surpreender, se considerarmos que as grandes verdades são eternas e que os Espíritos adiantados devem tê-las conhecido antes de vir para a Terra, para onde as trouxeram. Sócrates, Platão e os grandes filósofos do seu tempo poderiam estar, mais tarde, entre aqueles que secundaram Jesus na sua divina missão, sendo escolhidos precisamente porque estavam mais aptos do que outros a compreenderem os seus sublimes ensinamentos. E pode acontecer que façam agora parte da grande plêiade de Espíritos encarregados de virem ensinar aos homens as mesmas verdades.

XII – “Não se deve nunca retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenha feito. Poucas pessoas, contudo, admitem este princípio, e as que não concordam com ele só podem desprezar-se umas às outras”.

Não é este o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar aos inimigos?

XIII – “É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar cada ação por aquilo que ela produz: chamá-la má quando a sua consequência é má, e boa quando produz o bem”.

Esta expressão: “É pelos frutos que se reconhece a árvore”, encontra-se textualmente repetida, muitas vezes, no Evangelho.

XIV – “A riqueza é um grande perigo. Todo o homem que ama a riqueza, não se ama a si próprio nem ao que é seu, mas ama algo que lhe é mais estranho do que aquilo que é dele”. (Cap. XVI).

XV – “As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade do que uma alma virtuosa que se esforce por se lhe assemelhar. Seria grave que os deuses se interessassem mais pelas nossas oferendas do que pelas nossas almas. Se tal acontecesse, os maiores culpados poderiam conquistar os seus favores. Mas não, pois só são verdadeiramente retos e justos os que, pelas suas palavras e pelos seus atos, cumprem os deveres para com os deuses e os homens”. (Cap. X, nºs 7 e 8).

XVI – “Chamo homem violento ao amante vulgar, que ama mais o corpo do que a alma. O amor está por toda a natureza que nos convida a exercitar a nossa inteligência. Encontramo-lo até mesmo no movimento dos astros. É o amor que ornamenta a natureza com os seus admiráveis adornos. Enfeita-se e fixa a sua morada onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que traz a paz à Humanidade, a calma ao mar, o silêncio aos ventos e o sossego à dor”.

O amor, que deve unir os seres humanos por um sentimento de fraternidade, é uma consequência desta teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da natureza. Sócrates disse que “o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande Daïmon”, ou seja, um grande Espírito que preside ao amor universal. Foi sobretudo esta afirmação que lhe foi imputada como crime.

XVII – “A virtude não pode ser ensinada, vem por um dom de Deus aos que a possuem”.

É quase como a graça no conceito cristão. Mas se a virtude é um dom de Deus, um favor, pode perguntar-se por que razão não é concedida a todos? Por outro lado, se é um dom, não há mérito da parte do que a possui? O Espiritismo é mais explícito, ensina que aquele que a possui já a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao livrar-se pouco a pouco das suas imperfeições. A graça é a força que Deus concede aos homens de boa vontade, para se livrarem do mal e fazerem o bem.

XVIII – “Há uma disposição natural em cada um de nós, é a de nos apercebermos muito menos dos nossos defeitos do que dos defeitos alheios”.

O Evangelho diz: “Vês o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu?” (Cap. X, nº 9 e 10).

XIX – “Se os médicos não conseguem debelar a maior parte das doenças, é porque tratam o corpo sem a alma, e porque, se o todo não se encontra em bom estado, é impossível que as suas partes estejam bem”.

O Espiritismo esclarece as relações entre a alma e o corpo, e prova que um atua incessantemente sobre o outro. Assim, abre um novo caminho à ciência. Mostrando-lhe a verdadeira causa de certas doenças, dá-lhe, pois, o meio de as combater. Quando a ciência levar em conta a ação do elemento espiritual no conjunto orgânico, será mais eficaz.

XX – “Todos os homens, desde a infância, fazem mais mal do que bem”.

Estas palavras de Sócrates tocam a grave questão da predominância do mal sobre a Terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e do destino da Terra, onde habita apenas uma pequena parte da Humanidade. Só o espiritismo lhe dá a solução, que se encontra desenvolvida mais adiante, nos capítulos II, III e V.

XXI – “A sabedoria está em não julgares que sabes aquilo que não sabes”.

Isto vai dirigido àqueles que criticam as coisas de que, frequentemente, nada sabem. Platão completa este pensamento de Sócrates, ao dizer: “Tentemos primeiro torná-los, se possível, mais honestos nas palavras. Se não conseguirmos, não nos preocupemos com eles e busquemos nós a verdade. Tratemos de nos instruir, mas sem nos incomodarmos“. É assim que devem agir os espíritas, em relação aos seus contraditores de boa ou má-fé. Se Platão vivesse hoje encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo e poderia usar a mesma linguagem. Sócrates também encontraria quem zombasse da sua crença nos Espíritos e o tratasse como se fosse louco, assim como ao seu discípulo Platão.
Foi por ter professado esses princípios que Sócrates foi ridicularizado, primeiro, depois acusado de impiedade e condenado a beber a cicuta. É bem certo que as grandes e novas verdades, levantando contra si os interesses e os preconceitos que elas ferem, não podem ser estabelecidas sem lutas e sem mártires.


Para as pessoas interessadas em documentar histórico-culturalmente, identificando bem a origem destas referências a Sócrates e Platão, recomendo a leitura integral do seguinte trabalho de Reinaldo Di Lucia:

VII Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita / São Paulo 2001
da autoria de REINALDO DI LUCIA

Sócrates e Platão: percursores do espiritismo
de REINALDO DI LUCIA – PDF


A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.

A Escola de Atenas, de Raffaello Sanzio (pintura de 1509-1511), uma das obras mais extraordinárias do Museu do Vaticano que representa grande número de pensadores, entre os quais Platão e Sócrates.

Para completar e actualizar as referências aqui expostas, nada como a palavra de ALLAN KARDEC, com a conhecida síntese:

Resumo dos ensinamentos dos Espíritos, conforme o Capítulo VI da Introdução de “O Livro dos Espíritos”:

 

Os seres que deste modo comunicam designam-se a si mesmos – como já dissemos – pelo nome de Espíritos ou génios, e como tendo pertencido, pelo menos alguns, a pessoas que viveram na Terra. Constituem o mundo espiritual, como nós constituímos, durante a vida, o mundo corporal. Resumimos a seguir, em poucas palavras, os pontos mais salientes dos ensinamentos que nos transmitiram:

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo poderoso, soberanamente justo e bom. Criou o Universo que inclui todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corporal e os seres imateriais constituem o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.

O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo.

O mundo corporal é secundário, poderia deixar de existir ou nunca ter existido sem alterar a essência do mundo espírita. Os Espíritos animam temporariamente um corpo material perecível, cuja morte os devolve à liberdade.

Entre as diferentes espécies de seres corporais, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos que chegaram a um certo grau de desenvolvimento, o que lhe dá superioridade moral e intelectual sobre as outras. A alma é um Espírito encarnado num corpo material.

Há nos seres humanos três coisas:

1º) O corpo ou ser material, semelhante ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital;
2º) A alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo;
3º) O sistema de ligação que une a alma ao corpo, o perispírito, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito.

O ser humano tem assim duas naturezas: pelo corpo participa da natureza dos animais, dos quais possui os instintos; pela alma participa da natureza dos Espíritos. O sistema de ligação entre corpo e Espírito, o perispírito, é um complexíssimo sistema semimaterial.

A morte é o falecimento do corpo mais denso. O Espírito conserva o organismo de ligação ou perispírito, que lhe serve como corpo semimaterial, de muito baixa densidade, invisível para nós no seu estado normal. O Espírito pode torná-lo circunstancialmente visível e mesmo tangível, como acontece no fenómeno das aparições.

O Espírito não é, portanto, um ser abstrato, indefinido, que só o pensamento pode compreender. É um ser real, definido, que em certos casos pode ser apreendido pelos nossos sentidos da vista, da audição e do tato. Os Espíritos pertencem a diferentes níveis, não sendo iguais em poder, inteligência, saber ou moralidade:

– Os da primeira ordem são os Espíritos superiores que se distinguem dos outros pela perfeição, pelos conhecimentos, pela proximidade de Deus, pela pureza dos sentimentos e pelo seu amor ao bem: são os anjos ou Espíritos puros.

− Os dos outros níveis distanciam-se progressivamente desta perfeição.

– Os dos níveis inferiores são propensos às nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. e comprazem-se no mal.

Neste número há os que não são muito bons nem muito maus, são mais perturbadores e intrigantes do que maus. A malícia e as inconsequências parecem ser as suas características: são os Espíritos tolos ou frívolos.

Os Espíritos não pertencem eternamente à mesma ordem. Todos se vão aperfeiçoando, passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta evolução dá-se mediante a encarnação, imposta a uns como expiação e a outros como missão.

A vida material é uma prova a que devem submeter-se repetidas vezes até atingirem a perfeição absoluta: é uma espécie de filtro purificador, do qual vão saindo mais ou menos aperfeiçoados.

Deixando o corpo, a alma regressa ao mundo dos Espíritos, do qual saíra para reiniciar uma nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual fica no estado de Espírito errante. Devendo o Espírito passar por muitas encarnações, conclui-se que todos nós tivemos muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, seja na Terra, seja noutros mundos. A encarnação dos Espíritos ocorre sempre na espécie humana. Seria um erro acreditar que a alma ou Espírito pudesse encarnar no corpo de um animal. (Ver pergunta 611 e seguintes.)

As diversas existências corporais do Espírito são sempre de evolução positiva e nunca de evolução negativa ou retrógrada: a rapidez desse progresso evolutivo, contudo, depende dos esforços que fazemos para chegar à perfeição. As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós. Assim, o homem de bem é a encarnação de um bom Espírito e o homem perverso a de um Espírito impuro.

A alma tinha a sua individualidade antes da encarnação e conserva-a após a separação do corpo. No seu regresso ao mundo dos Espíritos, a alma reencontra ali todos os que conheceu na Terra e todas as suas existências anteriores desfilam na sua memória, com a recordação de todo o bem e de todo o mal que fez. (Ver perguntas 305 a 307)

O Espírito encarnado está sob a influência da matéria. O ser humano que supera essa influência, pela elevação e purificação da sua alma, aproxima-se dos bons Espíritos com os quais estará um dia. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as suas alegrias na satisfação dos apetites mais rudes, aproxima-se dos Espíritos impuros, dando preponderância à sua natureza animal.

Os Espíritos encarnados habitam a multiplicidade dos astros do Universo.

Os Espíritos não encarnados ou errantes não ocupam nenhuma região determinada ou circunscrita. Estão por toda a parte, no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e convivendo connosco com grande proximidade: é toda uma população invisível que se agita em nosso redor.

Os Espíritos exercem sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico uma ação incessante. Agem sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das forças da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenómenos até agora inexplicados ou mal explicados, que só encontram solução racional no espiritismo.

As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos estimulam-nos para o bem, apoiam-nos nas provas da vida e ajudam-nos a suportá-las com coragem e resignação. Os maus instigam-nos ao mal: para eles é um prazer ver-nos sucumbir e tornarmo-nos iguais a eles.

As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As comunicações ocultas têm lugar pela boa ou má influência que exercem sobre nós sem o sabermos, cabendo ao nosso julgamento discernir as más e as boas inspirações. As ostensivas realizam-se por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, na maioria das vezes através dos médiuns que lhes servem de instrumentos.

Os Espíritos manifestam-se espontaneamente ou pela evocação.

Podemos evocar todos os Espíritos:

− Os que animaram homens obscuros e os das personagens mais ilustres, qualquer que seja a época em que tenham vivido;

− Os dos nossos parentes, dos nossos amigos ou inimigos e deles obter, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se acham além túmulo, sobre os seus pensamentos a nosso respeito, assim como as revelações que lhes seja permitido fazer-nos.

Os Espíritos são atraídos em função da sua simpatia pela natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos superiores gostam das reuniões sérias, dominadas pelo amor do bem e pelo desejo sincero de instrução e de melhoria. A sua presença afasta os Espíritos inferiores que, pelo contrário, têm acesso fácil e liberdade de ação entre pessoas frívolas guiadas apenas pela curiosidade, onde quer que predominem os maus instintos.

Longe de obter bons conselhos e informações úteis, só é possível esperar desses Espíritos futilidades, mentiras, brincadeiras de mau gosto ou mistificações, pois servem-se frequentemente de nomes veneráveis para melhor induzirem em erro.

Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, cheia da mais alta moralidade, livre de qualquer paixão inferior. Os seus conselhos revelam a mais pura sabedoria e têm sempre por alvo o nosso progresso e o bem da Humanidade.

A dos Espíritos inferiores, pelo contrário, é inconsequente, muitas vezes banal e mesmo grosseira; se dizem às vezes coisas boas e verdadeiras, dizem com mais frequência falsidades e absurdos, por malícia ou por ignorância. Zombam da credulidade e divertem-se à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a vaidade e alimentando os seus desejos com falsas esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na verdadeira aceção da palavra, só se verificam nos centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de pensamentos dirigidos para o bem.

A moral dos Espíritos superiores resume-se, como a de Jesus, nesta máxima evangélica: “Fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam”, ou seja, fazer o bem e não o mal. O ser humano encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as ações menores.

Os Espíritos superiores ensinam-nos que:
─ O egoísmo, o orgulho e a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria;
─ Aqueles que neste mundo se libertam da matéria, pelo desprezo das futilidades mundanas e pelo exercício do amor ao próximo, se aproximam da natureza espiritual;
─ Cada um de nós se deve tornar útil segundo as faculdades e os meios que Deus nos colocou nas mãos, como prova;
─ O forte e o poderoso devem apoio e proteção ao fraco, porque aquele que abusa da sua força e do seu poder para oprimir o seu semelhante viola a lei de Deus.

Ensinam-nos, enfim:
─ No mundo dos Espíritos, onde nada pode estar escondido, o hipócrita será desmascarado e todas as suas torpezas reveladas;
─ A presença inevitável e incessante daqueles que prejudicámos é um dos castigos que nos estão reservados;
─ Ao estado de inferioridade e de superioridade dos Espíritos correspondem penas e alegrias que nos são desconhecidas na Terra.

Os Espíritos superiores ensinam-nos, também, que não há faltas cujo perdão seja impossível e que não possam ser apagadas pela expiação. É nas sucessivas existências que o ser humano encontra os meios que lhe permitem avançar, segundo o seu desejo e os seus esforços, no caminho do progresso que conduz à perfeição, que é o seu objetivo final.”

Este é o resumo do espiritismo tal como resulta do ensino dado pelos Espíritos superiores.

.

.

.

.

.

 

 

 

Prefácio dos tradutores de “O Livro dos Espíritos”

Prefácio dos tradutores

Com sugestões de leitura e requisitos essenciais para entender a obra

Esta nova tradução de O Livro dos Espíritos, da autoria de Hipólito Leão Denisard Rivail, sob o pseudónimo de Allan Kardec, foi feita pelos abaixo-assinados diretamente da língua francesa, conforme a segunda edição original de 1860, de modo a torná-lo acessível a todas as pessoas que falam a língua portuguesa dos dias de hoje, isto é, do ano de 2018.
Destina-se tanto a leitores espíritas como não espíritas, tendo sido este pre­fácio especialmente redigido para pessoas não espíritas, dando a conhecer as condições essenciais para aceder à mensagem da obra e aos seus ensinamentos. Além da renovação linguística, esta versão do livro contém algumas dezenas de comentários de contextualização cultural, publicadas no fim do mesmo e designadas como “Notas finais”. Têm a finalidade de esclarecer certas palavras e ideias que se encontram deslocadas ou desatualizadas, devido à antiguidade histórica do escrito original.
O que aqui fica dito resulta da imensa admiração e respeito que temos pelo ensinamento dos Espíritos, na forma que foi metodicamente organizada por Hipólito Leão Dénisard Rivail, aliás Allan Kardec.
Como autores da tradução, deste prefácio e das Notas finais, obedecemos exclusivamente, na forma e no conteúdo desse trabalho, à nossa consciência cultural e moral, visto que não somos membros de qualquer organização religiosa, ideológica ou política.

O espiritismo falado em português de Portugal

Tendo procurado traduções de acordo com o português de Portugal dos dias de hoje, só encontrámos versões revistas para português, mas visivelmente subsidiárias das antigas traduções brasileiras, com todas as respectivas características.
Pensamos que não é prestigiante para os espíritas portugueses terem dei­xado passar tanto tempo sem afirmarem uma desejável autonomia cultural, que tivesse realizado a tradução completa de todos os muito notáveis trabalhos de Allan Kardec, incluindo a Revista Espírita, que teriam ganho, junto dos utilizadores da es­plêndida língua portuguesa, mais vigor e trato familiar.

Carácter da obra e suas qualidades essenciais

O Livro dos Espíritos trata de assuntos de índole universal, cujo conhecimen­to é indispensável a todos os seres humanos conscientes do seu devir ontológico.
O Livro dos Espíritos fornece informações concretas e baseadas em factos, explicando de onde viemos antes de nascer e para onde vamos depois da morte, bastando uma consulta cuidadosa ao índice para ter uma ideia dos seus conteúdos científico-filosóficos e bem assim dos seus objectivos morais.
Pormenoriza a natureza e o significado de fenómenos de todos os dias, dos mais simples aos mais complexos, e qual a atitude mais recomendável para enfrentá-los. Esclarece-nos acerca da alegria, da tristeza, da saúde e das enfermidades, da razão de existirem ricos e pobres e por que razão há pessoas que nascem belas, inteligentes e afortunadas e há outras que nascem com dificuldades, tristezas e até desfiguradas fisicamente.
O Livro dos Espíritos fala com profundidade do bem e do mal, ajudando-nos a compreender a sua complexidade, por vezes desconcertante. A cultura que nos apresenta tem o intuito de melhorar o entendimento do mundo e de reforçar a nossa consciência em clima de responsabilidade sem medo; não obriga ninguém a nada, não é uma religião, não configura um catecismo; apresenta uma visão otimista da vida e alarga os caminhos que conduzem à paz dos indivíduos e da sociedade no seu conjunto.

[1 – O espiritismo é uma religião?]

(NOTA: esta numeração passa a ser inscrita em certos pontos do texto e diz respeito às “Notas Finais” de contextualização cultural, que convirá ir consultando.)

Sugestões para a leitura de O Livro dos Espíritos:

Para quem começa, este não é um livro para ler de empreitada, como uma peregrinação e, muito menos, como uma penitência. Alguns conselhos que aqui registamos aumentarão a receptividade de muitos leitores, dando-lhes a exata noção do que vão encontrar pela frente.
Allan Kardec dedicou uma parte muito importante da sua argumentação com os leitores dirigindo-se, naturalmente, às pessoas do seu tempo. Um número significativo de textos é dirigido aos “opositores”, aos “incrédulos” e aos “adversários” do espiritismo. Nesse tempo, diferentemente do que se passa hoje, escasseavam as actividades lúdicas, e a comunicação social, como a conhecemos hoje, estava à distância de muitos anos. Havia, portanto, certas pessoas que, com a popularidade das “mesas girantes” e das “reuniões espíritas” em geral, se aproximavam desse fenómeno para o contestar, argumentando das mais diversas formas.
É a essas pessoas que Allan Kardec se dirigia em larga porção da “Introdução”, da “Conclusão” e de muitos parágrafos dos extensos comentários espalhados ao longo do Livro.
O leitor da actualidade, posto de sobreaviso, vai compreender o que foi escrito e saberá levar esses textos na devida conta. Estar a argumentar com opositores incrédulos e adversários do espiritismo não faz sentido nenhum na actualidade, porque esses, muito dificilmente abrirão sequer “O Livro dos Espíritos”.
O livro propriamente dito só começa depois de toda a complicada “Introdução” e vem a seguir a um pequeno texto chamado “Prolegómenos”, palavra que quer dizer: “introdução” ou “noções preliminares de uma obra ou de uma ciência”.
O leitor deve ter a liberdade de procurar inicialmente no livro o que mais lhe interessar, lendo por aqui e por ali os temas mais apetecíveis. Poderá, para esse efeito, consultar primeiramente o Índice.

Leia e releia com atenção o que achar mais válido e interessante.

Se não estiver de acordo com o que está explicado em certo ponto, tenha a coragem de prosseguir. Adie as certezas difíceis de atingir com facilidade imediata, para que a longa jornada da vida possa abrir-lhe uma outra maneira de ver as coisas que agora não alcança, mas que tanta falta lhe fazem: o sentido otimista da vida, a esperança, a serenidade e a confiança. Se quiser prosseguir desse modo, é nossa convicta opinião que a leitura deste livro poderá ser um precioso auxiliar para atingir esses objetivos.
Não se pode esperar que a vida e o mundo, a natureza e todo o Universo sejam de entendimento imediato e fácil. Deve, pois, continuar a explorar, mais na atitude de quem estuda do que na atitude de quem lê por simples curiosidade.
O leitor que queira aprender, realmente, deve estar preparado para relacionar diversas partes do livro entre si, tentando encontrar relações coerentes entre os diversos ensinamentos. Só depois de ter feito estas explorações iniciais, com todo o interesse e vontade, valerá a pena ler o livro de uma assentada, ou passar, em alternativa favorável, à leitura de todos os escritos de Allan Kardec, incluindo o formidável conjunto da Revista Espírita, também publicada em vida pelo seu autor.

Requisitos essenciais para entender o livro e a origem dos seus ensinamentos

Sendo muito difícil avaliar a complexidade extraordinária do Universo e configurar com facilidade o significado da vida e da morte, há pessoas que desistem de compreender a realidade como projeto coerente, justo e generoso.
A ciência de observação baseada no estudo dos fenómenos espirituais, associada à enorme coerência de tudo o que nos rodeia desde o átomo às estrelas permite, pelo contrário, concluir que nada acontece de forma gratuita ou casual.
A par dessa conclusão fortemente documentável, todos nós necessitamos de construir reservas de convicção e de energia que nos auxiliem a vencer os obs­táculos com êxito, podendo, desejavelmente, ajudar quem nos rodeia, familia­res, amigos e a sociedade, com vista ao progresso, à felicidade, à verdade e à justi­ça, tais como se encontram fielmente configurados pelo conhecimento espírita.
A conclusão contrária de que o mundo e a vida resultam de acasos sem nexo, sem origem nem destino perfeitamente harmonizados, é uma desistência negligente que conduz à desmoralização, à dureza e ao medo.
As provas da coerência do plano das vidas e da natureza são tão volumosas e eloquentes, estão aqui tão próximas de cada um de nós, que não será necessário gastarmos muito tempo argumentando em seu favor. Os que ainda não atingiram esta ideia comecem a prestar atenção: ler “O Livro dos Espíritos” pode ser um bom começo.
Pensamos, portanto, de forma inabalável, que tudo o que existe deriva de uma inteligência suprema criadora de todas as coisas.
Fiquemos agora apenas por essa expressão, à qual não é necessário dar nome. É mais um sentimento que uma ideia definida que reside no íntimo intuitivo da sensibilidade. Deixemos que ela permaneça aí, onde melhor se compreende e onde mais perto está de tudo o que somos.
Quanto ao leitor que ainda duvida, esperamos com toda a convicção que nos encontre mais tarde, comungando da mesma fé que nos anima, com esperança e vontade esclarecida, harmonia e paz no coração. A criação magnânima da vontade superior que nos trouxe aqui não tem pressa. A jornada, que começou não se sabe onde nem como, continuará a desenvolver-se por todo o sempre. Tenhamos, pois, a serenidade que corresponde a esse devir sem limites nem fronteiras.
Como parte mais técnica e prática, sem cujo entendimento é impossível avançar para a leitura, é favor considerar o seguinte: apesar de dotados de importantíssimo património de capacidades orgânicas e racionais, os seres humanos entendem o Universo com ferramentas muito modestas e limitadas.
Os nossos cinco sentidos, a vista, o ouvido, o olfato, o paladar e o tato, deixam-nos a distâncias inimagináveis da realidade das coisas concretas, do mais perto ao mais longínquo, do mais pequeno ao infinitamente grande.
Tudo o que existe é muito mais do que podemos entender com essas limitadas ferramentas sensoriais, por muito completas e exigentes que sejam a nossa imaginação e a nossa inteligência.
No Universo (ou nos Universos?…) é muito mais aquilo que não se vê e não se entende, do que aquilo que se percebe e se sente com a vista e com o entendimento. A espantosa marcha da ciência tem dado passos de gigante ao tentar aproximar-se dessa enormidade de segredos. Mas quanto mais avança, mais profunda é a noção das coisas ignoradas.
Teremos que regressar ao grande Sócrates e à ideia que lhe conferiu a categoria do homem mais sábio de toda a Grécia: aquele que tinha a noção máxima de tudo o que desconhecia.
Existimos, pois, antes de nascermos neste mundo, num outro plano de que não temos conhecimento, no qual continuaremos a existir depois de falecido o corpo que nos serve de veículo existencial. O nascimento e a morte, portanto, não são o começo e o fim de tudo, e esse é um dos ensinamentos fundamentais de “O Livro dos Espíritos”.
Para confirmar factualmente essa realidade são conhecidas fontes de informação, de cuja existência há provas abundantes, que estão documentadas ao longo de toda a existência da Humanidade.

A mediunidade e a troca direta de informações entre o mundo dos vivos e o dos mortos

Havendo pessoas especialmente dotadas com mais um do que os normalíssimos cinco sentidos, têm por isso a capacidade, incompreensível para a maioria, de poderem sentir, ver e até dar voz às entidades espirituais que, depois da vida material, passam a existir no plano a que chamamos “mundo espiritual”.
Essa capacidade, esse sentido raro, chama-se “mediunidade”, porque são chamados “médiuns” os que a possuem.
Médium é uma palavra latina que signifíca “meio”, e que serve para designar o “in­termediário” ou “tradutor” das inumeráveis mensagens que têm sido trocadas entre os dois planos da existência, de forma que pode ser comprovada pela realidade dos factos.
A mediunidade é muito mais abundante do que se julga, tem graus de operacionalidade e modalidades muito diversas e já foi estudada em meio científico por diversas autoridades isentas e da maior competência, para além de se tornar evidente para qualquer pessoa que dela tenha o conhecimento direto.
“Mundo material” é o nosso, o do corpo físico que conhecemos, o mundo das coisas que vemos e palpamos à nossa volta.
O “mundo espiritual” é o mundo que não vemos, mas que se faz sentir po­derosamente, porque é nele que existimos antes e iremos existir depois, por toda a eternidade. Os contactos entre o “mundo material” e o “mundo espiritual” são contínuos e realizam-se de diversas formas desde há uma imensidade de anos.
O autor de “O Livro dos Espíritos”, Hipólito Leão Denisard Rivail, aliás Allan Kardec, organizou e sistematizou de modo filosófico um grande conjunto de apontamentos tirados de conversas tidas, ao longo de anos, entre pessoas vivas e entidades espirituais, que puderam “conversar” normalissimamente por intermédio de médiuns. Esse trabalho foi desenvolvido em França, em meados do século dezanove. O autor referido designou essa cultura como sendo: “o espiritismo, ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como das suas relações com o mundo corporal”.
É destas conversas, e dos comentários feitos pelo autor da obra a respeito das ideias por ele organizadas, que é feito “O Livro dos Espíritos”.
Segundo as conclusões seguras a que o “espiritismo” chegou, todos nós somos Espíritos, temporariamente ocupados por um breve intervalo de aprendizagens e experiências diversas através da vida no nosso corpo material.
Depois regressaremos, em paz e na maior das liberdades, ao nosso estado natural e mais permanente de Espíritos. Não se esqueçam: com letra maiúscula, por todas as razões mais nobres e mais válidas.

Notas breves sobre o método de tradução que seguimos

Sendo o francês e o português línguas da mesma família latina, tivemos a preocupação de fugir ao critério erróneo da “tradução à letra”, respeitando o fundo e não a forma das palavras do grande livro, tal como os ensinamentos nele contidos recomendam. O autor teve o intuito de escrever um livro que fosse acessível a todos os leitores da sua época. Sabemos, contudo, as profundas modificações que registaram, entretanto, todas as técnicas de comunicação. A frase mais curta, a economia de recursos de carácter retórico e enfático, a sim­plificação dos tempos verbais e muitos outros meios, foram usados por nós para facilitar a aproximação aos leitores, respeitando, entretanto, o carácter próprio que foi conferido à obra pelo seu autor.
Para além das versões em português, procurámos esclarecer muitos dos seus aspetos através de traduções noutras línguas e da pesquisa de outras obras do mesmo autor.
Consultámos, por exemplo, a tradução em castelhano de Alberto Giordano, publicada na Argentina em 1970 e influenciada pela que foi feita pelo professor brasileiro José Herculano Pires, que também analisámos com cuidado; e a excelente tradução em língua inglesa da autoria da jornalista Anna Blackwell, profunda co­nhecedora da cultura espírita, que foi contemporânea e amiga da família Rivail du­rante o tempo que viveu em Paris. A edição de que nos servimos tinha por intuito revelar a obra de Allan Kardec no universo cultural anglo-saxónico e foi publicada em Boston em 1893, mas o prefácio da autora está assinado de 1875, em Paris.
Também lemos as conhecidíssimas traduções de Guillón Ribeiro, a seu tempo dirigente da Federação Espírita Brasileira que, quando pelas primeiras vezes nos vieram à mão, desde logo despertaram em nós a determinação de fazer uma tradução para português de Portugal dos nossos dias. Com o devido respeito por esse trabalho, não foi o modelo que procurámos seguir, por razões muito concretas, mas que não é oportuno detalhar nesta breve apresentação.

A escolha das palavras

Sabendo que as palavras têm alma, usámos uma estrutura lexical coerente com o carácter filosófico e moral da obra, no contexto da sua visão otimista da magnânima obra da criação e do glorioso destino da Humanidade.
No texto original de Allan Kardec, por tendências de época que serão compreensíveis e estão bem estudadas, é usado em certas passagens do Livro algum vocabulário herdado das teorias penalizantes do universo filosófico das antigas religiões.
O aproveitamento dessas expressões nas traduções dos dias de hoje, deixou em absoluto de fazer sentido. Prosseguimos, nesta edição, no uso de referências lexicais compatíveis com a cultura que nos orienta com todo o rigor moral e toda a exigência intelectual. Porém, com uma visão do mundo, que encoraje a conquista da paz e do progresso pelo raciocínio, e da ultrapassagem do erro pelo conhecimento racional. Para colocar esta questão plano histórico cultural, sugerimos a leitura da Nota Final nº 39, que trata da “queda do homem”, e do ensino primordial das religiões dogmáticas.

Allan Kardec

Hipólito Leão Denisard Rivail,

organizador dos ensinamentos dos Espíritos

No início deste prefácio de tradutores escolhemos a grafia do nome Hipólito Leão Denisard Rivail, com os dois nomes próprios traduzidos e Denisard com “s”, como está na sua certidão de nascimento. Fizemos isso por ser a versão que nos parece mais perto da nossa língua e, especialmente, porque nos temos habituado a pensar nele como um semelhante, nosso amigo íntimo.
O destino fez com que Hipólito Leão/Allan Kardec tivesse ficado sem biografia oficial propriamente dita, feita por um contemporâneo seu. Por algu­ma coisa foi: a obra é o que interessa, ditada por narradores invisíveis, configu­rada pelo autor que organizou a mensagem.
Vale muito a pena ler tudo o que deixou escrito, sobretudo este “Livro dos Espíritos”, trabalho estruturador da mensagem de que se encarregou. De cada vez que se lê, novas coisas se descobrem e melhor se entendem o todo e os por­menores. Será estudo útil para os que desejam encontrar o fio da vida, tantas vezes encarada como drama sem solução, e serem capazes de construir agora um destino que valha a pena, com alegria e entusiasmo, porque há um depois!…
Hipólito Leão começou a interessar-se pelo tema que iria tratar de forma tão brilhante e generosa numa posição distanciada de qualquer crença, outros- sim cuidadosamente positivista e até cautelosamente cético, numa idade de ple­na maturidade, apenas por ter sido insistentemente convidado por amigos para esse efeito.
O trabalho, que começou aos 55 anos de idade (numa época em que a esperança de vida era muito inferior à da atualidade), foi levado a cabo com de­dicação total, mediante um esforço hercúleo, sem medida, que de certa forma conduziu ao desenlace da sua vida.
Convém referir que o modelo expositivo que serve à estruturação de O Livro dos Espíritos, desenvolvido nas restantes obras de Allan Kardec, obedece ao formato que durante os séculos XVIII e XIX constituía os princípios da exposição cientifica clássica, definindo ordenadamente:

1° – A escolha do objeto de estudo, que se conclui ser o Espírito, tratado no Livro Primeiro (As Causas Primárias);
2° – A análise do objeto de estudo, ou seja, a consideração e avaliação de toda a fenomenologia que constitui a sua razão de ser, que é tratada no Livro Segundo (O Mundo Espírita ou dos Espíritos);
3° – O estabelecimento das leis que regulam esse conjunto de fenómenos, que é feito no Livro Terceiro (sobre as Leis Morais);
4° – A dedução das consequências da aplicação dessas leis, que é feita no Livro Quarto (sobre as Esperanças e Consolações).

O critério de Hipólito Leão, em todo o imenso trabalho que efetuou, nun­ca foi o de se promover pessoalmente à condição de dirigente ou autoridade ideológica e muito menos religiosa. A metodologia utilizada para a estrutura­ção do “corpus” de informações e saberes científico-filosóficos que levou a cabo foi isenta de segundos sentidos de proveito pessoal ou institucional.

O professor Hipólito Rivail desaconselhou os grandes coletivos espiritas

Obedecendo a critérios que foi enunciando em diversas intervenções, nunca favoreceu o agrupamento de grande número de adeptos em instituições federativas as quais, de antemão, declarou perniciosas, por facilitarem a arqui­tetura do poder e a manipulação das consciências.
Toda a realidade que se seguiu ao seu falecimento, quer em França, quer no estrangeiro, deu plena razão às previsões e avisos que formulou.
Os pequenos grupos de cidadãos, harmonicamente associados numa con­vivência produtiva de pensamento claro e de reta consciência, na obediência da razão crítica e do diálogo construtivo, formam o modelo mais claramente por si recomendado para constituir a sociedade espírita.
Em síntese, fique esclarecido que a obra traduzida e a filosofia que encerra oferecem uma visão otimista da vida, liberta de dogmatismo, verdadeiramente emancipadora da Humanidade e produtora de paz, na igualdade entre todos os seres humanos.
Consideramos ainda que O Livro dos Espíritos defende, com o máximo respeito, a integridade ecológica do planeta que habitamos, o direito à dignida­de, à justiça e à máxima felicidade de todos os seres que nele habitam.
A característica essencial desta tradução, que sugere a passagem de toda a obra de Kardec para o português de Portugal/2018, num clima cultural aberto, é propor o regresso metódico a uma obra muito conhecida pelo seu nome, mas escassamente debatida; abrindo o seu acesso, se possível, a novos públicos e a jovens inquietos pelo grande mistério da sua origem e do seu destino.
Para esta terceira edição foram cuidadosamente revistos e ampliados os seus conteúdos de referenciação cultural, além de se ter procurado com mais abertura uma versão mais próxima da nossa linguagem de todos os dias, usando as prodigiosas qualidades estético-culturais de que dispõe a magnífica língua portuguesa.
Consideramos, não obstante, que a nossa tarefa de ler atentamente o que nos deixou Allan Kardec, não fica por aqui. A sua leitura em português dos nossos dias faz parte de um debate de ideias que gostaríamos de ver par­tilhado e enriquecido pelo maior número de leitores, espíritas e não espíritas.

O destino adequado para O Livro dos Espíritos não é permanecer imóvel, como peça sacralizada de ideias petrificadas. Julgamos que deve ser entendido por todos os seus leitores de antes, de agora e do futuro, como uma obra ener­gicamente VIVA e justificadamente ABERTA.

Entregamo-lo a todos os prezados leitores com os melhores votos de feliz e proveitosa leitura

José da Costa Brites e Maria da Conceição Brites
Setembro de 2018

The Search for God and Afterlife in the Age of Science

Chapter 1: The Search for God and Afterlife in the Age of Science

by Ken R. VincentPosted on

1. Abstract and Keywords

ABSTRACT: Near-death experiences (NDEs) and other transpersonal experiences — those that transcend the usual personal experiential limits of space and/or time — point to the existence and nature of God and ongoing personal consciousness following physical death. In this article, I review the history of these experiences prior to 1850 and of their study during three periods of scientific research between 1850 and the present. I conclude that:

  1. A large percentage of the population has experienced NDEs and other transpersonal experiences.
  2. The overwhelming majority of these experiencers are mentally healthy.
  3. These experiences change people’s lives for the better. I contend that although NDEs and other transpersonal experiences cannot prove the existence of a personal God and afterlife, they definitely point to them.

KEYWORDS: near-death experience; transpersonal; mysticism; God; afterlife

2. Introduction Transpersonal Experiences

Transpersonal experiences involve perceptions that transcend the usual personal limits of space and/or time. Also known as “mystical experiences,” “religious experiences,” or “spiritual experiences,” transpersonal experiences include: direct communication of humans with God or other divine beings; near-death experiences (NDEs); deathbed visions (DBVs); and after-death communications (ADCs). Individuals who restrict their study of transpersonal experiences to NDEs sometimes call other transpersonal experiences “near-death-like experiences” or, more awkwardly, “a near-death experience in which the person didn’t die.” Unlike parapsychologists, who try to explain paranormal phenomena, transpersonal psychologists focus on the anomalous experiences of non-psychotic individuals and the effects of these experiences on them.

By their nature, many transpersonal experiences point to the existence and nature of both God and an afterlife of continued personal consciousness beyond physical death. Scientific study of “transpersonal experiences” developed between the second half of the 19th century and the present (Basford, 1990, pp. viii-ix). Whereas William James coined the term “transpersonal experience,” Abraham Maslow greatly expanded the serious study of transpersonal experiences by deeming transpersonal psychology a “fourth force” in psychology after psychoanalysis, behaviorism, and humanism (Daniels, 2004, pp. 366-370).

In this paper, I will not address transpersonal experiences involving mediums, nor will I address faith healing, because I have not researched those areas. Rather, my focus will be the development of the study of near-death and near-death-like experiences over the past 150 years. I begin with a brief discussion of transpersonal experiences prior to the mid-19th century.

3. Transpersonal Experiences Prior to 1850

a. Plato, Zoroaster, St. Paul and St. Gregory the Great

All of human history is testimony to humanity’s experience of the transpersonal. Prior to research into transpersonal experiences by biomedical researchers and social scientists, these accounts were often anecdotal and frequently “much-told tales.” Twenty-five hundred years ago, Plato recorded the NDE of Er in his Republic (Plato, 4th century BC/1892). First-hand accounts from credible sources in the ancient world are rare. Zoroaster composed a poem that documented his direct experience of God (Vincent, 1999, pp. 91-127). St. Paul also told in his own writings of his life-transforming ADC of Jesus (1 Corinthians 15:5-8). Additionally, St. Paul told of his out-of-body experience in which he was transported to the third level of Heaven (2 Corinthians 12:2-5).

In the 6th century, St. Gregory the Great in Book 4 of his Dialogues (Gregory, 6th century AD/1959) provided a treasure-trove of transpersonal experiences including NDEs, ADCs, DBVs, and vivid dreams. These and other examples from ancient and medieval literature have some validity by the very fact that they sound so similar to modern transpersonal accounts; however, in almost all cases there is simply not enough in the ancient record to make a judgment on the veracity of the story. In her analysis of medieval and modern accounts of other-world journeys, Carol Zaleski (1987) noted:

“We cannot simply peel away the literary wrapper and put our hand on an unembellished event, even when a vision actually did occur, it is likely to have been re-worked many times before being recorded” (pp. 86-88).

She suggested, for example, that the Church would have been eager to insure that recorded accounts did not contradict “Truth” as defined by Church doctrine. Nevertheless, in the medieval world, first-hand accounts of transpersonal experiences became more commonly reported in the lives of the saints. A modern interdisciplinary collaboration between a historian and a psychiatrist into medieval transpersonal experiences revealed that visions appeared to have been related to mental illness in only 4 of the 134 cases the authors studied (Kroll & Bachrach, 1982).

4. First Period of Scientific Research into Transpersonal Experiences (1850s-1920s)

a. Mid-19th Century Medical Science, Eastern Religions and Psychical Research

In the mid-19th century, medicine was becoming a science. Physicians were rapidly learning about the human body, discovering that many of their long-revered treatments and medications were ineffective and/or toxic (Benson & Stark, 1997, pp. 109-114). Social sciences became a reality in large part due to the invention of modern statistics (Wood & Wood, 1996, p. 23). Concurrently, comparative religion emerged as a topic of study for the first time in the West since the classical period (Nigosian, 2000, pp. 412-413). This period witnessed the publication of Max Müller‘s Sacred Books of the East (1897) that enhanced Western knowledge of Eastern religion. Simultaneously, archaeology was changing from a “treasure hunt” for adventurers into a methodical science (Oakes & Gahlin, 2003, pp. 26-41).

In the mid-19th century, physicians began to report DBVs and the rarer NDEs in their medical journals (Basford 1990, pp. 5-10,131-137; Walker & Serdahely, 1990, p. 108). Aided by social scientists, case studies and observations of transpersonal experiences began to be verified. In the 1880s, the Society for Psychical Research was formed in England, and shortly thereafter, the American Society for Psychical Research was founded (Cardeña, Lynn, & Krippner, 2000, p. 6). The membership of these bodies largely consisted of physicians, professors, and preachers. Its members were interested in interviewing subjects and assessing the credibility of case studies involving transpersonal experiences.

b. Important Ground-Breaking Transpersonal Studies

I. Frederick Myers’ Study

Ground-breaking studies produced by this new group of psychical researchers include Frederick Myers‘s Human Personality and its Survival of Bodily Death (1903) and Sir William Barrett‘s Deathbed Visions (1926). The following veridical account taken from Myers’s classic work documents the infrequent phenomena of physical contact with a vision. It is the case of an appearance to Baron Basil Fredorovich von Driesen of his dead father-in-law with whom he had not been on good terms. The purpose of the father-in-law’s ADC was for reconciliation. Basil reported shaking the apparition’s hand which he described as “long and cold,” after which the vision disappeared. The next day after the church service, the priest told Basil and his wife:

“This night at 3:00, Nicholas Ivanovitch Ponomareff appeared to me and begged me to reconcile him to you.”

Thus, on the same night the son-in-law and the priest, at separate locations, saw a vision of the same dead man (Myers, 1903, pp. 40-42).

II. Henry Sidgwick’s Study

Another important study in the 19th century was Henry Sidgwick‘s Report on the Census of Hallucinations (Basford, 1990, p. 161). The British study included over 15,000 non-psychotic people and found roughly 10% of the participants reported apparitions, including ADCs and religious visions. This was also the case in a 1990s replication of the study using a representative sample of over 18,000 participants (Bentall, 2000, pp. 94-95). Although people with schizophrenia can and do report mystical experiences along with their psychosis (Siglag, 1986), more often than not people without mental illness report seeing religious figures whereas people with schizophrenia report being religious figures.

III. James Hyslop’s Study

James Hyslop wrote many books on transpersonal experiences. His Psychical Research and the Resurrection (1908) is interesting. It includes not only veridical examples of ADCs and DBVs but also a treatise on the resurrection as an ADC in which Hyslop stated that:

“The existence of veridical apparitions would substantiate all that is useful in the story of the resurrection and make human experience in all ages akin” (p.383).

This same approach, emphasizing that Jesus’ resurrected body was (quoting St. Paul) a “spiritual” body (Hyslop, 1908, p. 377), was taken at mid-century by the Anglican Canon Michael Perry, who wrote The Easter Enigma: An Essay on the Resurrection with Specific Reference to the Data of Psychical Research (1959). This thesis was again raised at the end of the 20th century by Phillip Wiebe who authored Visions of Jesus (1997). These and other modern authors made the case that post-resurrection appearances of Jesus are visionary experiences indistinguishable from ADC reports throughout history (Hick, 1993, pp. 41-44; Maxwell & Tschudin, 1990, pp. 66-67, 78, 105, 119, 150, 166, 168; Wiebe 1997, pp. 3-88).

IV. William James’ Study

The premier publication of the first period of research into transpersonal experiences was William JamesThe Varieties of Religious Experience published in 1902. In it, he boldly stated, In one sense the personal religion [currently termed transpersonal or spiritual] will prove itself more fundamental than either theology or ecclesiasticism. Churches, when once established, live at second-hand upon tradition; but the founders of every church owed their power originally to the fact of their direct personal communication with the Divine. Not only the superhuman founders, the Christ, the Buddha, Mahomet, but all the originators of Christian sects, have been in this case; — so personal religion should still seem the primordial thing, even to those who continue to esteem it incomplete (James, 1902/1994, pp. 35-36; bracketed material added).

He went on to state that, the difference in the natural ‘fact’ which most of us would assign as the first difference which the existence of a God ought to make would, I imagine, be personal immortality. Religion, in fact, for the great majority of our own race means immortality, and nothing else (James 1902/1994, p. 569).

Further validation for William James’ assertion that the founders of every religion obtained the spiritual knowledge from direct transpersonal experiences of God can be found in Christopher Partridge‘s (2004, pp. 14-24) New Religions. Partridge listed over 200 religions that were founded or came to prominence in the last century; virtually all of their founders were transformed and inspired by a transpersonal experience such as a voice, a vision or other mystical experience of God, or an ADC from a religious figure.

5. Intermediate Period (1930s — 1950s) and Second Period (1960s to Present) of Scientific Research into Transpersonal Experiences

a. Carl Jung and Transpersonal Experiences

During the 1920’s, research into transpersonal experiences began to wane. In my opinion, possible reasons for this include the death of the founders of research into transpersonal experience, the rise of atheism and Marxism culturally, and Freudianism and behaviorism in the social and biomedical sciences. In an article focusing exclusively on NDEs, Barbara Walker and William J. Serdahely (1990) noted the same “dry” period. Carl Jung (1961) became a lone “voice in the wilderness” regarding the importance of religious and spiritual experience in healthy human functioning.

b. Abraham Maslow and Transpersonal Psychology

As the father of humanistic psychology, Maslow revolutionized the study of psychology by emphasizing the healthy personality rather than psychopathology. Toward the end of his life, he went beyond this innovation by resurrecting James’ term “transpersonal” and founding the field of transpersonal psychology (Maslow, 1964, pp. x — xi, 19 — 29; Partridge, 2004, pp. 366-370). During this same period, scientists had begun to use the electroencephalogram (EEG) to study meditation and other altered states of consciousness, demonstrating that meditative states were physiologically different from ordinary consciousness and not merely the “wishful thinking” of believers (Wulff, 1997, pp. 69-89, 95-116). Concurrently, the facilitation of religious experience using psychedelic drugs became the object of scientific study.

c. Timothy Leary’s LSD Research

Timothy Leary was a respected professor of psychology at Harvard and one of the world’s foremost researchers on personality at the time he began to experiment with LSD and other psychedelic drugs (Wulff, D. M.,1997). He did so in the best of company — with Huston Smith, a Methodist minister, theologian, and researcher on comparative religion, and Aldous Huxley, author of Brave New World and The Doors of Perception (Smith, 2000, p. 6). One of Timothy Leary’s early research projects at Harvard was nicknamed his “Prisoners to Prophets” program (Leary, 1983, pp. 83-90). In this study, he supervised the administration of LSD to prisoners who were then followed after their release from jail. Initially, the LSD group had a lower recidivism rate than those in the control group who had not received psychedelic drugs. However, later these results were questioned, and it was suggested that their success could be better attributed to the interaction of the students with the prisoners, helping them readjust to society and helping them find jobs. In fact, a 34-year follow-up showed recidivism to be slightly higher for the LSD group (Horgan, 2003).

Leary sincerely thought he had discovered something beneficial to society; a shortcut that would enable everyone to become a mystic. Thus he was for some time the champion of psychedelic drugs. He and his sophisticated friends did not have negative experiences with LSD, and some had gleaned insights under its influence. Leary thought that the mystical experience was caused by the drug; sadly, the causality and dynamics of such experiences turned out not to be that simple.

I was an undergraduate student in psychology at the time this initial research was being carried out. One day, one of my professors came into class and announced that he was doing LSD research, and he wanted us all to take the drug as a part of his experiment. Now, this was in the days prior to strict guidelines for ethical research on human subjects, and it was not uncommon for professors to include among course requirements that students participate in their experiments. I was much relieved when my professor said that if we had jobs, we were not required to participate. He then went on to tell us that this stuff was SO good that he would give us some if we came to his office after class! He did caution that if we took it on our own, we had to promise to take it with a friend, as there were a few people who had “unusual side-effects.” A few years later, after a number of people had experienced what came to be known as “bad trips,” the Federal Government made psychedelics illegal. Clearly, the experience of God was not IN the drugs, as Leary had hoped.

d. Walter Pahnke’s Psychedelic Research

About this time, a Harvard researcher named Walter Pahnke (Argyle, 2000, pp. 64-66; Smith, 2000, pp. 199-205) conducted a controlled experiment at Andover Theological Seminary in which he divided seminarians into two groups: one given psychedelics and the other given a placebo. He then put both groups into a 2½-hour Easter Service. The result was that a significant number of those given the psilocybin reported mystical experiences compared to the control group. What Pahnke had done was what shamans have done for centuries: use drugs to get their subjects “off-center.” Psychedelic drugs induce perceptual distortions and force the subject out of one’s normal mind-set, but it is the shaman — or, in case of Pahnke’s experiment, the Christian ministers — who plays the critical role of guiding the experiencer. In the case of Native American shamans, the setting is a hogan where the participant is surrounded by fellow worshipers, fire, and chanting. In the Christian Easter service, the “Christian shamans” provided the context of music, liturgy, and prayer. The total spiritual setting is the “trigger” of the mystical experience; the drugs aid only to the extent that they allow the experiencer to step out of ordinary reality (Wulff, 1997, pp. 188-193). As Sufi mystic Abu Said (Vincent, 1994, p. 40) put it:

“The way to God is but one step, the step outside yourself.”

e. Transpersonal Experiences and Psychosis

In addition to the relationship between transpersonal experiences and psychedelic drugs, there is also some overlap between transpersonal experiences and psychosis. This was the focus of a recent book entitled, Psychosis and Spirituality (Clarke, 2001). Mysticism can be differentiated from psychosis through psychological assessment. Ralph Hood (2001, pp. 20-31) developed two scales to measure the in-depth nature of religious mystical experience: the Religious Experience Episode Measure (REEM) and the Mysticism Scale (M-Scale). These instruments separate mystics from non-mystics but do not clearly differentiate mystics from psychotics. To achieve the latter, a diagnostician needs also to use an instrument that differentiates people with and without psychosis. Use of more than one test for differential diagnosis is commonplace in psychology; for example, the diagnosis of learning disability requires administration of both reading and IQ assessments (Vincent, 1987, pp. 45-58).

Although it is possible to be both mystic and psychotic, modern research has uncovered many more people having mystical experiences than having psychoses (Argyle, 2000, pp. 71-72, Hood, 2001, pp. 410-411). These differences are further highlighted in a study using word analysis to differentiate the verbal descriptions of mystics, psychedelic drug users, psychotics, and people not included in any of those groups. The researchers found that the descriptions of the various experiences do not match (Oxman, Rosenberg, Schnurr, Tucker, & Gala, 1988). In general, studies on mysticism and mental health have consistently shown that the overwhelming majority of mystics are mentally “normal” or “healthy.”

f. Sir Alister Hardy’s Religious Experience Research

In 1969, Sir Alister Hardy, a biologist, set up the Religious Experience Research Unit at Oxford University, now the Religious Experience Research Centre at the University of Wales, Lampeter (Rankin, 2008, p. 3). This venture marked the beginning of large-scale research into mystical experiences. In order to research mystical religious experience within the general population, Hardy made an appeal to the general public through newspapers and pamphlets with the question:

“Have you ever been aware of or influenced by a presence or power, whether you call it ‘God’ or not, which is different from your everyday self?”

He invited readers to send in their responses. Ten years later, Hardy (1979/1997) published a book based on the first 3,000 responses he had received to this question on mystical experiences.

Next, moving beyond self-selected sample methodology, researchers undertook large-scale survey research. In 1977, David Hay and Ann Morisy (Hardy, 1979/1997, pp. 124-130) asked the same question to a British national sample of 1,865 persons: 35% responded “yes.” Between the times of the appeal in the British newspaper and the objective large-scale population survey, Andrew Greeley (1974) and his colleagues at the National Opinion Research Center at the University of Chicago began asking a very similar question:

“Have you ever felt as though you were very close to a powerful spiritual force that seemed to lift you out of yourself?”

A sample of 1,467 Americans showed 39% answered “yes.” Over the years, repeated national samples have shown that the number of people responding affirmatively to this question has ranged from 35%-50% (Wood, 1989, p. 856). When respondents have been interviewed rather than surveyed, the number has increased to over 60% (Hay, 1987, pp. 136-137).

Possibly because more Americans are feeling more confident in their spirituality, or maybe because the question was phrased differently, when asked recently:

“In general, how often would you say you had experienced God’s presence or a spiritual force that felt very close to you?”

86% of Americans reported one or more transpersonal experiences. Who knows? Maybe we humans are coming “out of our (spiritual) closet” (Mitofsky International and Edison Media Research, 2002)!

In the first 3,000 cases of mystical experiences that Hardy and his colleagues collected, one of the “triggers” of mystical experience “was the prospect of death.” More recently, Mark Fox (2003, pp. 243-329) has analyzed these “crisis experiences” (CE) and compared them to other non-crisis mystical experiences (non-CE). Whereas most of these CEs were NDEs, it was hard to tell from the voluntary reports whether or not these individuals had died or, in some cases, only come close to death. In spite of this limitation, Fox conducted the study because these CE/NDEs had occurred prior to the popularization of the NDE. He found remarkable similarity between these two groups. In other words, one of the ways to have a mystical experience is to die! This link between the NDE and other mystical experiences is a commonly reported finding (Cressy 1994, 1996; Fenwick & Fenwick, 1995, pp. 229-236; Kircher, 1995, pp. 81-91; Ring, 2005, pp. 51-52; Vincent, 1994, pp. 9-17).

Recently, Xinzhong Yao and Paul Badham of the Alister Hardy Research Centre have published a major research project entitled, Religious Experience in Contemporary China (2007). Yao and Badham surveyed 3,196 Chinese. Religion is suppressed in China, and it should be no surprise that few respondents indicated a religious affiliation, but 56.7% reported religious/spiritual experiences. Using Buddhism as an example, only 2.3% of the Chinese reported being Buddhist, but 27.4% said they had worshiped Buddha within the past year, and 18.2% reported a religious experience involving Buddha or bodhisattvas at some time during their lives (Holmes, 2006).

g. Osis and Haraldsson’s Transpersonal Experience Research

Another major cross-cultural study on transpersonal experiences is reported in Osis and Haraldsson’s book At the Hour of Death (1977) which documents 1,708 cases of deathbed visions recorded by physicians and nurses in the United States and India. These researchers compared patients with deathbed visions to patients whose diagnosis would have resulted in psychotic hallucinations such as brain disease, uremia, and fever in excess of 103 degrees. They also took medication effects into account. The apparitions of the dying in both the U.S. and India involved dead relatives and religious figures; in no case, in either the U.S. pilot study or the cross-cultural study, was the “take-away” person ─ the relative or religious figure whom the patient perceived had come to take the patient to the afterlife ─ an apparition of a living individual. In general, deathbed visions were similar in both countries, though there were some differences. One-tenth of the Americans and one-third of the Indians expressed negative emotions when religious figures appeared. Indians were more anxious about dying, probably because the Hindu religion teaches Judgment. However, once the dying experience began, it was almost always pleasant for both Indians and Americans. The only report of a person going to Hell was that of an Italian American woman. The most striking difference between deathbed experiences in the U.S. and India is one that could have been anticipated: the religious figures that came to take the person into the afterlife corresponded to the person’s religion. Christians saw God, Jesus, angels, and Mary. Hindus saw such figures as Yamaraj, the Hindu god of death, as well as Krishna, Rama, and Durga, (Osis & Haraldsson, 1977, pp. 52-78, 218).

A byproduct of the Osis and Haraldsson study was that it included 120 people who were near-death experiencers (NDErs). Like the deathbed visioners, the NDErs in India and the U.S. had similar experiences. The one exception was that in the U.S., people reported being told to return or that they “had work to do.” In India, they were apt to be told that their name was “not on the list.” One Hindu reportedly was told by a Hindu messenger of death that they had brought the wrong person. Interestingly, this report included an account in which another man of the same name was in the same hospital, and when the initial patient regained consciousness, the other man with the same name died (Osis & Haraldsson, 1977, pp. 147-159).

Also in the 1970s, research was conducted on objectifying psychiatric diagnosis. The results of this research culminated in the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders III (DSM-III) in 1980. I was privileged to work on this project (American Psychiatric Association, 1980, p. 481). The DSM-III removed Freudian mythology from the diagnostic nomenclature and forbade a diagnostician to jump to a diagnosis based on a single symptom like hallucinations. More importantly, it acknowledged that religious experience was not in itself pathological; in other words, it was now OK for God to talk to you!

h. The Beginning of Near-Death Experience Research

In 1975, Raymond Moody published Life After Life and coined the term “near-death experience.” Immediately after this publication, serious research into the NDE began. The International Association for Near-Death Studies (IANDS) was founded in November, 1977, by Raymond Moody, Kenneth Ring, Bruce Greyson, Michael Sabom, John Audette, and a few others (International Association for Near-Death Studies, 2009). Research into the NDE quickly captured the attention of the public, overshadowing all other transpersonal experiences. This conclusion is evidenced by the sheer volume of NDE research (Holden, Greyson, & James, 2009, pp. 1-10). Highlights of serious research into NDEs include Ring’s first objective analysis of NDE characteristics (1980). Shortly thereafter, Sabom (1982) carried out the first prospective study on the NDE. Ring and Sharon Cooper recently researched what the blind “see” when they have an NDE (Ring & Valarino,1998, pp. 73-95). More recently, Jeffery Long and Paul Perry (2010) have published an analysis of 613 cases from Jeff and Jody Long’s Near-Death Experience Research Foundation (NDERF) Website. One fruitful area of research has been into the aftereffects of NDEs and other transpersonal experiences. Briefly, the effects are overwhelmingly positive and life-changing, and they do not fade over time (Hay, 1987, pp. 153-167; Ring & Valarino 1998, pp. 123-144).

i. Scientific Theories Attempt to Explain Near-Death Experiences

As questions have been raised regarding the NDE and its characteristics, scientific research has attempted to deal with them. For example, when the press consistently claimed that all NDEs were pleasurable experiences dominated by feelings such as peace, love, and joy, Greyson and Nancy Evans Bush (1992), in their article “Distressing Near-Death Experiences,” countered with their analysis of experiences dominated by feelings such as isolation, torment, or guilt. When the astronomer Carl Sagan, acting as an arm-chair psychoanalyst, made the claim that NDEs were just people reliving their birth experiences, his “theory” was soon refuted in an article by Carl Becker that included data on not only newborn physiology but also the lack of similarity between features of the NDE and birth (Becker, 1982). In a study by Susan Blackmore (1983) entitled “Birth and OBE,” she found no difference in reports of passing through a tunnel as a transition into another reality for persons born by Caesarean section or delivered vaginally. Finally, although the majority of NDEs are pleasurable, the process of birth is widely acknowledged to be traumatic. In all of recorded history, only one person is said to have laughed instead of crying at birth Zoroaster (Vincent, 1999, p. 3). Sagan has not been the only skeptic of the NDE, but his case does illustrate that when questions are raised, scientific investigation follows. “Explanatory Models for Near-Death Experiences” by Greyson, Kelly and Kelly (2009, pp. 213-234) provides an excellent overview of research supporting and refuting claims about the origins of NDEs.

j. Inducing Transpersonal Experiences

Michael Persinger offered more than theories on the NDE and other transpersonal phenomena (Kelly, Greyson, & Kelly, 2007, pp. 382-383). Using electromagnetic stimulation, he attempted to create NDE-type phenomena in the laboratory, and some of his subjects reported bits and pieces of phenomena similar to the NDE and other transpersonal experiences as well as extraneous phenomena such as dizziness and tingling (Greyson, 2000, p. 335). However, a recent Scandinavian study failed to replicate his findings (Keller, 2005). Based on Persinger’s research, his student, Todd Murphy (2006), began marketing electronic devices to enhance meditative experiences. If transpersonal experiences could be safely induced in the laboratory using electrical stimulation, would this ability fulfill the age-old dream of giving everyone a mystical experience, change people for the better, and bring about a “new age?” On another note, Persinger expressed the belief that his research demonstrates that the NDE and other transpersonal experiences are located within the brain (Kelly, Greyson, & Kelly, 2007, pp. 382-384). However, brain stimulation can be interpreted as “cleansing the doors of perception” and leading to illumination (Kelly, 2007, pp. 603-607).

Since ancient times, people have attempted to induce transpersonal experiences. In the ancient world people used initiation into the “mysteries” (Meyer, 1987, pp. 3-13). Regarding the induction into the Mysteries of Isis, Apuleius gave an account that is in all probability autobiographical:

“I approached the confines of death. I trod the threshold of Prosperine: and born through the elements I returned. At midnight I saw the sun shining in all its glory. I approached the gods below and the gods above, and I stood beside them, and I worshipped them.” (Meyer, 1989, p. 199).

He went on to state that he could not reveal more because it was a mystery! Historians have not established what percentage of people were able to have an induced transpersonal experience in the ancient world. The ancients’ methods also are not known, but the idea that they had such knowledge continues to be intriguing (Ring, 1986).

In one attempt at induction, Moody invented the psychomanteum to facilitate ADCs in a non-intrusive way. Using a slightly tilted mirror, low light, a soft chair, and a dark room, Moody was able to create the condition for about half of his subjects to experience visits from their dead loved ones (Moody & Perry, 1993). This experiment has been replicated several times (Hastings et al., 2002; Roll, 2004). I am not alone among my colleagues in feeling that this modern-day necromancy is not without risks. If these visions are indeed real, as Moody noted (1993, p. 112), the people who show up may not be the ones hoped for; if the apparitions are the products of the subject’s unconscious mind, it is probably best to leave them undisturbed.

k. Religion and Near-Death Experiences

This brings us to another aspect of NDE research: religion and NDEs. Fox (2003, pp. 55-97) saw a deafening silence among theologians, who generally have not tackled the topic. This omission seems to be true for theologians in Christianity as well as other religions. However, Judith Cressy (1994), a minister and doctorally trained pastoral counselor, wrote linking the commonalities between NDEs and mysticism. Liberal Christian theologian Marcus Borg (1997, pp. 37-44, 171) has supported the validity of transpersonal experiences; he has also voiced tentative optimism about the validity of NDEs. John Hick, the world’s foremost Universalist/Pluralist Christian theologian, is an enthusiastic endorser of transpersonal experiences and tentatively hopeful of the veracity of NDEs (Hick, 1999). Canadian theologian Tom Harpur has also addressed how multiple aspects of NDEs relate to Christianity in general, to specific Christian sects, and to world religion. He concluded his book Life After Death (1991) with a strong statement relating NDEs to Christian Universalist theology.

Outside of Christianity, endorsement for NDEs’ relevance to religion is sparse. Some years ago, I was watching a television program in which the Dalai Lama was asked how NDEs affected his belief in reincarnation. He replied that NDEs reflect the “Bardo” state — in Buddhist theology, the intermediate state between death and rebirth. Recently, Zoroastrian priest Kersey Antia (2005) has written about Zoroastrianism, NDEs, and other transpersonal experiences. Writers on comparative religion have also written on the NDE. Zalesky’s (1987) Other World Journeys: Accounts of Near-Death Experience in Medieval and Modern Times, Farnaz Masumian’s (1995) Life After Death: A Study of The Afterlife in World Religions, and Gracia Fay Ellwood’s (2001) The Uttermost Deep are good examples of books on NDEs and comparative religion. Recently, Gregory Shushan (2009) examined five ancient and culturally independent civilizations and concluded that the core elements of their afterlife beliefs are similar to those of NDEs. He stated:

“Ultimately, this study points to a type of single experiential ‘reality,’ which may or may not indicate a single transcendental reality” (Shushan, 2009, p. 199).

Warren Jefferson (2008) has written about the NDEs of North American Indians and documented that many of their afterlife accounts include reincarnation experiences. Finally, Marianne Rankin (2008) has written an excellent overview of transpersonal experiences, including NDEs, entitled, An Introduction to Religious and Spiritual Experience. This work covers experiences in world religions, ancient and modern, East and West.

I have already discussed Osis and Haraldsson‘s (1977) wonderful comparison between Americans who were primarily Christian to East Indians who were primarily Hindu, but both authors were psychologists and not theologians. Some NDE researchers, including me, are not afraid to link findings from NDE research with their religious beliefs. These authors include Conservative Christians Maurice Rawlings (1978) and Michael Sabom (1998), Mormon Christian Craig Lundahl (1981), and Universalist Christians Ken Vincent (2003, 2005) and Kevin Williams (2002).

6. Conclusion

The search for God and afterlife in the Age of Science highlights an overlooked aspect of the so-called conflict between religion and science. For the past 150 years, social and biomedical scientists have researched the very nature of religion itself using all the tools available to modern science. NDEs and other transpersonal experiences can and are investigated in the same way all other psychological phenomena are investigated. The validity of these experiences is based on several data sources, including:

  1. Case studies of transpersonal experience (Bucke, 1901/1931, pp. 9-11, 287-289, 357-359; Guggenheim & Guggenheim, 1996; Maxwell & Schudin, 1990; Wiebe, 1997, pp. 40-88; 2000, pp. 119-141).
  2. Sociological surveys that reveal who and what percentage of the population have NDEs and other transpersonal experiences (Argyle, 2000, p. 56; Wood 1989, p. 856).
  3. Psychological assessment instruments that measure not only the mental health of the individual but also evaluate the depth of mystical experiences (Hood, 2001; Hood, Spilka, Hunsberger, & Gorsuch, 1996, pp. 183-272).
  4. Biomedical and neuroscience testing, including the EEG, PET-scan, and functional MRI to, in some cases, document genuine altered states of consciousness and demonstrate that transpersonal experiences are not just wishful thinking (Hood et al., 1996, pp. 193-196; Newberg, D’Aquili, & Rause, 2001; Wulff, 1997, pp. 169-188), and EEGs and EKGs that enable the documentation of the dying process in NDEs that occur in hospitals.
  5. Sociological and psychological investigations that assess the after-effects these experiences have on people (Greyson, 2000, pp. 319-320; 345; Hick, 1999, pp. 163-170; Hood et al., 1996, pp. 410-411).
  6. Controlled experimental research such as Walter Pahnke‘s experiment on the effects of psychedelics (Argyle, 2000, pp. 64-66; Smith, 2000, pp. 199-205).

In my opinion, although the NDE and other transpersonal experiences do not prove the existence of a personal God and afterlife, they definitely point to it. Research to date documents the fact that:

  1. A large percentage of the population has experienced NDEs and other transpersonal experiences.
  2. The overwhelming majority of those having NDEs and other transpersonal experiences are mentally healthy and not psychotic.
  3. NDEs and other transpersonal experiences change people’s lives for the better. It also appears that NDEs and other transpersonal experiences represent phenomenological realities at the origin of virtually all the world’s major religions.

7. References

American Psychiatric Association. (1980). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (3rd ed.). Washington, DC: Author.

Antia, K. (2005). Zarathushti view of death and afterlife. FEZANA Journal, 3, 32-36, 55.

Argyle, M. (2000). Psychology and religion: An introduction. New York, NY: Routledge.

Barrett, W. F. (1926). Death-bed visions. London, England: Methuen.

Basford, T. (1990). Near-death experiences: An annotated bibliography. New York, NY: Garland.

Becker, C. B. (1982). The failure of Saganomics: Why birth models cannot explain near-death phenomena. Anabiosis – The Journal for Near-Death Studies, 2, 102-109. Reprinted with Permission.

Benson, H., & Stark, M. (1997). Timeless healing: The power and biology of belief. New York, NY: Fireside.

Bentall, R. P. (2000). Hallucinatory experiences. In E. Cardeña, S. J. Lynn, & S. Kripper (Eds.), Varieties of anomalous experience: Examining the scientific evidence (pp. 85-120). Washington, DC: American Psychological Association.

Blackmore, S. (1983). Birth and the OBE: An unhelpful analogy. Journal of the American Society for Psychical Research, 77, 227-238.

Borg, M. (1997). The God we never knew: Beyond dogmatic religion to a more authentic contemporary faith. San Francisco, CA: HarperSanFrancisco.

Bucke, R. M. (1931). Cosmic consciousness: A study in the evolution of the human mind. New York, NY: E. F. Dutton. (Original work published 1931).

Cardeña, E., Lynn, S. J., & Krippner, S. (Eds.). (2000). Introduction: Anomalous experiences in perspective. In E. Cardeña, S. J. Lynn, & S. Krippner (Eds.), Varieties of anomalous experience: Examining the scientific evidence (pp. 3-21). Washington, DC: American Psychological Association.

Clarke, I. (Ed.). (2001). Psychosis and spirituality: Exploring the new frontier. Philadelphia, PA: Whurr.

Cressy, J. (1994). The near-death experience: Mysticism or madness. Hanover, MA: Christopher.

Cressy, J. (1996). Mysticism and the near-death experience. In L. W. Bailey & J. Yates (Eds.), The near-death experience: A reader (pp.369-384). New York, NY: Routledge.

Daniels, M. (2004). Transpersonal psychologies. In C. Partridge (Ed.), New religions: A guide: New religious movements, sects, and alternative spiritualities. New York, NY: Oxford University Press.

Ellwood, G. F. (2000) Religious experience, religious worldviews, and near-death studies. Journal of Near-Death Studies, 19, 5-21. Reprinted with Permission.

Fenwick, P., & Fenwick, E. (1995). The truth in the light. New York, NY: Berkley Books.

Fox, M. (2003). Religion, spirituality and the near-death experience. New York, NY: Routledge.

Greeley, A. (1974). Ecstasy: A way of knowing. Englewood Cliffs, NJ: Prentice Hall.

Gregory the Great (1959). Gregory the Great: Dialogues (Fathers of the Church) (O. J. Zimmerman, Trans.). New York, NY. (Original work published 6th century AD).

Greyson, B., and Bush, N. E. (1992). Distressing near-death experiences. Psychiatry, 55, 95-110.

Greyson, B. (2000). Near-death experiences. In Cardeña, E. S., Lynn, S. J., and Krippner, S. (eds.), Varieties of anomalous experience: Examining the scientific evidence (dissociation, trauma, memory, and hypnosis) (pp. 315-352). Washington, DC: American Psychological Association.

Greyson, B., Kelly, E. W., & Kelly, E. F. (2009). Explanatory models for near-death experience. In Holden, J., Greyson, B., & James, D. (Eds.). The handbook of near-death experiences: thirty years of investigation. Santa Barbara, CA: Praeger/ABC-CLIO.

Guggenheim, B., & Guggenheim, J. (1996). Hello from heaven: A new field of research-after-death communication confirms that life and love are eternal. New York, NY: Bantam Books.

Hardy, A. (1997). The spiritual nature of man: A study of contemporary religious experience. Oxford, England: The Religious Experience Research Centre. (Original work published 1979).

Harpur, T. (1991). Life after death. Toronto, Canada: McClelland & Stewart.

Hastings, A., Ferguson, E., Hutton, M., Goldman, A., Braud, W., Greene, E., … Steinbach-Humphrey, S. (2002). Psychomanteum research: Experiences and effects on bereavement. Omega, 45, 211-228.

Hay, D. (1987). Exploring inner space: Scientists and religious experience. London, England: Mowbray.

Hick, J. (1993a). Disputed questions in theology and the philosophy of religion. New Haven, CT: Yale University Press.

Hick, J. (1999). The fifth dimension: An exploration of the spiritual realm. Oxford, England: One World.

Holden, J., Greyson, B., & James, D. (Eds.). (2009). The handbook of near-death experiences: Thirty years of investigation. Santa Barbara, CA: Praeger/ABC-CLIO.

Holmes, H. (2006). Religious experience in contemporary China. De Numine, 40(2), 33-34. Reprinted with Permission.

Hood, R. W. (2001). Dimensions of mystical experiences: Empirical studies and psychological links. New York, NY: Rodopi.

Hood, R. W., Spilka, B., Hunsberger, B., & Gorsuch, C. R. (1996). The psychology of religion: An empirical approach (2nd ed.). New York, NY: Guilford Press.

Horgan, J. (2003). Rational mysticism: Dispatches from the border between science and spirituality. New York, NY: Houghton Mifflin.

Hyslop, J. H. (1908). Psychical research and the resurrection. London, England: T. Fisher Unwin.

International Association for Near-Death Studies. (2009). History and founders. Retrieved from www.iands.org/about_iands/iands/history.html

James, W. (1994). The varieties of religious experience. New York, NY: Modern Library. (Original work published 1901).

Jefferson, W. (2008). Reincarnation beliefs of North American Indians, soul journeys, metamorphoses, and near-death experience. Summertown, TN: Native Voices.

Jung, C. G. (1961). Memories, dreams, reflections. New York, NY: Pantheon Press.

Keller, J. C. (2005). Swedish scientists can’t replicate religious experience in lab. Retrieved from www.varioustopics.com/alternative-medicine/

Kelly, E. W. & Kelly, E. F., et al. (2007). Toward a psychology for the 21st century. In E. F. Kelly, E. W. Kelly, A. Crabtree, A. Gauld, M. Grosso, & B. Greyson, Irreducible mind: Toward a psychology for the 21st century (pp. 577-643). New York, NY: Rowman & Littlefield.

Kelly, E. W., Greyson, B., & Kelly, E. F. (2007). Unusual experiences near-death and related phenomena. In E. F. Kelly, E. W. Kelly, A. Crabtree, A. Gauld, M. Grosso, & B. Greyson, Irreducible mind: Toward a psychology for the 21st century (pp. 577-643). New York, NY: Rowman & Littlefield.

Kircher, P. M. (1995). Love is the link: A hospice doctor shares her experience of near death and dying. Burdett, NY: Larson Publications.

Kroll, J., & Bachrach, B. (1982). Visions and psychopathology in the Middle Ages. Journal of Nervous and Mental Disease, 170, 41-49.

Leary, T. (1983). Flashbacks: An autobiography. Los Angeles, CA: Jeremy P. Tarcher.

Long, J., & Perry, P. (2010). Evidence of the afterlife: The science of near-death experiences. New York, NY: Harper One.

Lundahl, C. R. (1981). The perceived other world in Mormon near-death experiences: A social and physical description. Omega, 12, 319-327.

Müller, F. M. (Ed.). (1897). Sacred books of the East. Oxford, England: Oxford University Press.

Maslow, A. (1964). Religions, values, and peak-experiences. New York, NY: Viking Press.

Masumian, F. (1995). Life after death: A study of the afterlife in world religions. Oxford, England: One World.

Maxwell, M., & Tschudin, V. (2005). Seeing the invisible: Modern religious and other transcendent experiences. Ceredigion, Wales: Religious Experience Research Centre. (Original work published 1990).

Meyer, M. W. (Ed.). (1987). The ancient mysteries: A sourcebook of sacred texts. San Francisco, CA: Harper & Row.

Mitofsky International and Edison Media Research. (2002). Exploring religious America. Religion & Ethics Newsweekly, May 10, 2002, Retrieved May 16, 2002, from: www.pbs.org

Moody, R. (1975). Life after life: The investigation of a phenomenon – survival of bodily death. Covington, GA: Mockingbird Books.

Moody, R., & Perry, P. (1994). Reunions: Visionary encounters with departed loved ones. New York, NY: Ivy Books.

Murphy, T. (2006). Inner worlds, outer worlds. Retrieved from: www.innerworldsmovie.com

Myers, F. W. H. (1915). Human personality and its survival of bodily death (Studies in consciousness). London, England: Logmans, Green. (Original work published 1903).

Newberg, A., D’Aquili, E., & Rause V. (2001). Why God won’t go away: Brain science and the biology of belief. New York, NY: Ballantine Books.

Nigosian, S. A. (2000). World religions: A historical approach (3rd ed.). New York, NY: Bedford/St. Martin’s.

Oakes, K., & Gahlin, L. (2003). Ancient Egypt: An illustrated reference to the myths, religion, pyramids, and temples of the land of the pharaohs. New York, NY: Barnes & Noble.

Osis, K., & Haraldsson, E. (1977). At the hour of death: A new look at evidence for life after death. New York, NY: Avon Books.

Oxman, T. E., Rosenberg, S. D., Schnurr, P. P., Tucker, G. J., & Gala, G. (1988). The language of altered states. Journal of Nervous and Mental Disease, 176, 401-408.

Partridge, C. (Ed.). (2004). New religions: A guide: New religious movements, sects, and alternative spiritualities. New York. NY: Oxford University Press.

Perry, M. C. (1959). The Easter enigma: An essay on the resurrection with specific reference to the data of psychical research. London, England: Faber & Faber.

Plato. (1892). The dialogues of Plato (Jowett, B., trans.). London, England: Humphrey Milford. (Original work published 4th century B.C.).

Rankin, M. (2008). An introduction to religious and spiritual experience. London, England: Continuum International.

Rawlings, M. S. (1978). Beyond death’s door. Nashville, TN: Thomas Nelson.

Ring, K. (1980). Life at death: A scientific investigation of the near-death experience. New York, NY: Coward, McCann, & Geoghegan.

Ring, K. (1986). From alpha to omega: Ancient mysteries and the near-death experience. Anabiosis – Journal of Near-Death Studies, 5, 3-15. Reprinted with Permission.

Ring, K. (2005). Letter to the editor: Scope of IANDS and the journal. Journal of Near-Death Studies, 24, 51-52.

Ring, K., & Valarino, E. E. (1998). Lessons from the light: What we can learn from the near-death experience. New York, NY: Insight Books.

Roll, W. G. (2004). Psychomanteum research: A pilot study. Journal of Near-Death Studies, 22, 251-260. Reprinted with Permission.

Sabom, M. (1982). Recollections of death: A medical investigation. New York, NY: Harper & Row.

Sabom, M. (1998). Light and death: One doctor’s fascinating account of near-death experiences. Grand Rapids, MI: Zondervan.

Shushan, G. (2009). Conceptions of afterlife in early civilizations: Universalism, constructivism, and near-death experience. London, England: Continuum International.

Siglag, M. A. (1986). Schizophrenic and mystical experiences: Similarities and differences (Doctorial dissertation). Retrieved from ProQuest. (AAT 8706811).

Smith, H. (2000). Cleansing the doors of perception: The religious significance of entheogenic plants and chemical. New York, NY: Jeremy P. Tarcher/Putnam.

Vincent, K. R. (1987). The full battery codebook: A handbook for psychological test interpretation for clinical, counseling, rehabilitation, and school psychology. Norwood, NJ: Ablex.

Vincent, K. R. (1994). Visions of God from the near-death experience. Burdett, New York: Larson Publications.

Vincent, K. R. (1999). The Magi: from Zoroaster to the “three wise men.” North Richland Hills, Texas: Bibal Press.

Vincent, K. R. (2003). The near-death experience and Christian Universalism. Journal of Near-Death Studies, 22, 57-71. Reprinted with Permission.

Vincent, K. R. (2005). The golden thread: God’s promise of universal salvation. New York, NY: iUniverse.

Walker, B. A., & Serdahley, W. J. (1990). Historical perspectives on near-death phenomena. Journal of Near-Death Studies, 9, 105-121. Reprinted with Permission.

Wiebe, P. H. (1997). Visions of Jesus: Direct encounters from the New Testament to today. New York, NY: Oxford University Press.

Williams, K. R. (2002). Nothing better than death: Insights from sixty-two profound near-death experiences. Philadelphia, PA: Xlibris.

Wood, F. W. (1989). An American profile: Opinions and behavior 1972-1989. Chicago, IL: National Opinion Research Center.

Wulff, D. M. (1997). Psychology of religion (2nd ed.). New York, NY: John Wiley & Sons.

Yao, X & Badham, P. (2007). Religious experience in contemporary China. Cardiff: University of Wales.

Zaleski, C. (1987). Otherworld journeys: Accounts of near-death experience in medieval and modern times. New York, NY: Oxford University Press.

Tradução de “A Génese” de Allan Kardec, para português de Portugal

Gallery

This gallery contains 1 photo.

para ter acesso ao ficheiro Pdf basta clicar na imagem O ESPIRITISMO, REENCONTRO E CLARIFICAÇÃO O Espiritismo encontra-se num momento extraordinário de reencontro e de clarificação de erros fundamentais que o mantiveram na penumbra dos mais graves equívocos, desde o … Continue reading

“A Génese” – as edições de 1868 e de 1872, uma comparação ponto por ponto

Gallery

PARA ACEDER A ESTE  TRABALHO BASTA CLICAR NA IMAGEM ACIMA La Genèse, les miracles et les prédictions selon le spiritisme” (A Génese os milagres e as profecias segundo o espiritismo), de Allan Kardec Comparação ponto por ponto, das diferenças entre … Continue reading

What Really Happens When You Die

Gallery

Muito agradecidos pelas visitas e, se quiserem colaborar com estas mensagens, inscrevam-se como seguidores e… ajudem a divulgar!… What Really Happens When You Die– Interview with Peter Fenwick Peter Fenwick (born 25 May 1935) is a neuropsychiatrist and neurophysiologist who … Continue reading

A magnífica revista do CENTRE SPIRITE ALLAN KARDEC

Gallery

This gallery contains 1 photo.

.   Journal Spirite N°119 Dossier : Médiums à écriture et médiums artistes Quarante-quatre années de communications avec l’au- delà, auprès de médiums accomplis, nous permettent de répondre à de multiples interrogations concernant la médiumnité. Années longues et difficiles, mais … Continue reading

LE JOURNAL SPIRITE – A melhor publicação espírita que conhecemos

Gallery

This gallery contains 1 photo.

  Journal Spirite N°111 Dossier : Les Facultés Psychiques / Les Esprits nous enseignent que la pensée est une énergie, une force par laquelle l’esprit peut agir sur la matière qui l’environne et sur des personnes mortes ou vivantes. C’est … Continue reading

O espiritismo é uma religião? / Lembrar Humberto Mariotti

Gallery

This gallery contains 3 photos.

[1 – O espiritismo é uma religião?] – in Prefácio dos tradutores, Carácter da obra e suas qualidades essenciais. este texto, seguido por uma alusão documentada a respeito de Humberto Mariotti, aqui citado, é a primeira Nota Final (página 307) … Continue reading

seja um seguidor de espiritismocultura.com

Gallery

This gallery contains 2 photos.

> > JÁ SOMOS UM GRANDE GRUPO DE AMIGOS, QUE CRESCE COM REGULARIDADE “espiritismocultura.com” e “palavraluz.com” são ambos domínios próprios, sem anúncios e com mais possibilidades técnicas. Os seguidores inscritos receberão um Email por cada publicação efectuada. . Pedimos por isso a … Continue reading

Prefácio dos tradutores de O LIVRO DOS ESPÍRITOS – terceira edição revista

Gallery

Prefácio dos tradutores Com sugestões de leitura e requisitos essenciais para entender a obra Esta nova tradução de O Livro dos Espíritos, da autoria de Hipólito Leão Denisard Rivail, sob o pseudónimo de Allan Kardec, foi feita pelos abaixo-assinados diretamente … Continue reading

Bibliografia geral e leituras

Gallery

This gallery contains 1 photo.

Temos andado a publicar aqui momentos especiais do trabalho de tradução de “O Livro dos Espíritos”. Esta notícia tem por tema a pequena bibliografia geral relativa às Notas Finais. O Prefácio dos tradutores destina-se a preparar as pessoas que nunca … Continue reading

GABRIEL DELANNE – Vida e Obra de um seguidor de ALLAN KARDEC

Gallery

A Evolução Anímica-1… > Abaixo se apresenta a biografia de um dos mais distintos expoentes da doutrina espírita: GABRIEL DELANNE, entendido como um dos mais destacados seguidores de ALLAN KARDEC, divulgador da vertente científica da cultura espírita e seu entusiástico … Continue reading

Nunca “O Livro dos Espíritos” foi tão belo na nossa língua

Gallery

  NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar: Terceira edição revista da tradução de O LIVRO … Continue reading

Contracapa – vale a pena ler

Gallery

NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar também: Terceira edição revista da tradução de O LIVRO … Continue reading

Duas leis morais que mudam de nome

Gallery

 Livro III – Capítulo V e Capítulo VI Continuamos a abordar na última série de notícias aqui publicadas, temas relacionados com a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”, convictos – da nossa parte – que a análise aprofundada dos … Continue reading

ALLAN KARDEC desaconselhou grandes coletivos espíritas

Gallery

Dando sequência ao primeiro destaque das Notas Finais da nossa tradução para a língua portuguesa de Portugal dos nossos dias, estamos hoje a inserir  a Nota Final  que tem por tema “a organização do espiritismo”, com o qual Allan Kardec … Continue reading

O nome de Jesus

Gallery

Esta é a terceira notícia da série que reproduz Notas Finais da nossa tradução para português de “O Livro dos Espíritos”. [9] – O nome de Jesus – Introdução VI – Resumo da Doutrina dos Espíritos É neste ponto de … Continue reading

PowerPoint sobre a nossa tradução de “O Livro dos Espíritos”

Gallery

  NOTA: estas notícias têm interesse, mas dizem respeito às primeiras duas edições da nossa tradução de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, que foram revistas e melhoradas pela TERCEIRA EDIÇÃO. É favor consultar também: Terceira edição revista da tradução de O … Continue reading